Sushi Tour SP episódio 2: Nakka (Itaim)

Eae pessoal, hoje é o segundo capítulo do Sushi Tour que fiz em São Paulo.

Uns meses atrás eu fui contratado por um grupo de investidores/restauranteurs do Rio de Janeiro para guiá-los num tour em São Paulo pelos melhores restaurantes dentro de um perfil específico que eles buscavam: modernos e contemporâneos. Visitamos 5 restaurantes em 4 dias.

O segundo restaurante do tour foi o moderno/contemporâneo/pop/lotado Nakka. Já escrevi bastante sobre o Nakka em outras reviews, então não preciso me estender muito, certo? Mas resumindo, o Nakka deve ser o restaurante mais badalado do cenário paulistano. Com duas casas (Itaim e Jardins) o restaurante foco em ingredientes de alta qualidade e um cardápio com ingrediente de ponta.

Fomos no almoço e foi preciso chegar cedo, pois o balcão é disputadíssimo, mesmo pelos clientes que não conhecem muito de comida japonesa (lá tem bastante). Agora se preparem pois foi uma verdadeira feast.

Primeiro é preciso ressaltar que sem dúvida o balcão de sushi do Nakka é dos mais bonitos de São Paulo, a maneira que ele é montado, com o vidro, e ficando na altura dos clientes, permite que assistamos toda movimentação na montagem dos pratos.

Seguindo, começamos com uma das minhas principais recomendações se você for ao Nakka: o sashimi de barriga de salmão.

Eles são deliciosos, suculentos, bem temperados e bem servido. É uma maneira excelente de começar a refeição.

A seguir, um gosto pessoal, primeiro, eu adoro um tempurá bem feito, segundo, eu adoro shisô, e terceira, amo atum batido. Imagina só agora um shisoten de spicy tuna:

É simplesmente delicioso, fenomenal, eu comeria esse prato todos os dias da minha vida, hahaha. Pois é, se posso definir pra vocês, ele é crocante, salgadinho e o sabor de todos ingredientes combinam bem, sobretudo a textura do tempurá com o atum batido.

Depois, um clássico do Nakka também, o uraebitem especial, que nada mais é do que um enrolado de camarão empanado com salmão maçaricado em volta:Eu gosto bastante, ele é correto, não incrível como os pratos anteriores, porém vale pra dividir com alguém.

Agora começa a loucura, a sequência madness de nigiris do Nakka. Claro, a sequência que nós pedimos, pois o Nakka estrategicamente não possui nenhuma sequência nem combinados, assim os clientes pedem tudo nos dedos (provavelmente gastando muito mais).

O primeiro foi o estrondoso atum com foie gras.Ele é farto, já adianto, o sabor explode na boca, é até um pouco exagerado, poderia ser um pouco mais comedido, porém o restaurante serve o que o público quer e pronto. O público do Nakka paga por esses sushis, fim de assunto.

A seguir a dupla de sushis trufados vencedoras do Nakka, a lula (ika) e a vieira (hotate):Como vocês podem ver, seguem a linha do restaurante de sushis grandes e bem montados. Ambos sushis são maravilhosos e eu comeria uns 10. O única ponto negativo é que o tempero de cada um deles é exatamente igual e isso logisticamente pro restaurante até pode funcionar, porém os ingredientes pedem trabalhos distintos.

Seguindo, outro sushi que você DEVE pedir no Nakka, a enguia (unagui):Bom, preciso dizer que foi a primeira vez que eles serviram com essa mal cortada fatia de abacate por cima. Pra mim não teve nada a ver…Claro que nos EUA é comum servirem uramakis de enguia com avocado, mas não em niguiris, acho que foi um equivoco. De qualquer maneira, o sushi de enguia do Nakka é magnífico, sobretudo por que você come um pedaço significativo de enguia, é um dos maiores, se não o maior da cidade.

Bom, querem uma pausa? respirar fundo? Espero que tenham comido antes de ler esse post, hehehehe.

Seguindo firmes, uma duplinha clássica, tradicional e que tenho certeza que o público do restaurante não pede: ikura e uni.Ambos estavam corretos, nada a comentar.

Assim com os sushis a seguir, o jow de ovo de codorna trufado e a dupla de carapau.Só vale a pena citar que foi no Nakka que comi pela primeira vez esse jow e inclusive é onde ele é feito com mais esmeiro.

Vocês devem estar sentindo falta de salmão, certo? O Nakka possui um excelente sushi de barriga de salmão chamuscado. Vejam abaixo:
Infelizmente ultimamente eles tem temperado em excesso esse sushi, ficando muito salgado, eles precisam dosar um pouco mais na mão…

Seguindo onde o Nakka precisa trabalhar um pouco, segue abaixo os nigiris de Kobe beefNão sei por que eu insisto nesse sushi, talvez só pra pagar pra ver mesmo, pois o sushi de Kobe beef do Nakka parece mais um hamburguinho e falta sabor e textura, de todos pedidos, esse é o único No-Go que digo a vocês.

Depois de respirar e conversar muito, apenas para compararmos com o Kinoshita, pedimos um sashimi de Kobe beef:

Estava correto, nada demais também, eu tenho a impressão que o restaurante possui o ingrediente para satisfazer ao público que frequenta, sem desenvolver muito o prato.

O que é diferente do sashimi de salmão trufado, que foi como encerramos o almoço:

É um prato farto, esses pedaços de salmão são generosos e eles são muito bem maçaricados e temperados, recomendo que peçam também.

Bom, depois de comer tanto, saí rolando do restaurante e muitíssimo feliz. Mas mais importante que tudo isso, foi legal ver os pontos fortes e fracos do Nakka e ajuda meus clientes a entender o que é legal replicar e o que é bom evitar.

Abraços e até a próxima!

Gourmet San

Sushi Tour SP episódio 1: Kinoshita

Estou devendo a vocês…

Nesses últimos meses algumas outras atribuições do dia-a-dia tem me prevenido de escrever aqui, sobretudo as minhas tardes de domingo, que é quando geralmente sento e escrevo. Mas vou tentar retomar após as inúmeras mensagens que recebi.

Uns meses atrás eu fui contratado por um grupo de investidores/restauranteurs do Rio de Janeiro para guiá-los num tour em São Paulo pelos melhores restaurantes dentro de um perfil específico que eles buscavam: modernos e contemporâneos. Ou seja, os tradicionalistas que me perdoem (eu mesmo sou um), mas neste e nos episódios seguintes não encontrarão Shin Zushi nem Hamatyo nem Kansuke.

Nossa primeira parada foi devido ao nome e a fama: Kinoshita.

Era 4a a noite, liguei mais cedo pra saber se havia necessidade de reserva e disseram que não. Pois bem, os tempos áureos do Kinoshita passaram, tem de ficar de olho agora que o Murakami também saiu de lá. Vamos ver o que se sucede.

Cheguei poucos minutos mais cedo que o pessoal e sentei no balcão quente (também tem o balcão frio).

Foi um acerto pois antes de mais nada a cozinha do Kinoshita é das melhores, digo a aparelhagem, não faz barulho, não tem cheira de fritura, nada, os caras tem o creme de la creme lá.

Não tínhamos nem dúvida pedimos o omakase! Vale a pena dizer que hoje não há mais 3 opções mas sim apenas 1. Muito mais sensato em termos de logística pra cozinha.

Vale a pena dizer que o Kinoshita não mudou nada das ultimas 2x que eu já tinha ido, ou seja, maitre de primeira linha, especialista em sake, provavelmente todos falando japonês etc.

Vamos ver os pratos servidos?

Começamos com um shot de ostra:

Sendo bem honesto achei o prato fraco. O Aze Sushi possui um prato similar que se chama ovo perfeito que é muito melhor, mais equilibrado, mais Umamístico, hahaha.

A seguir, as vieiras vivas de Picinguaba/Ubatuba.

Prato lindo de ser ver e comer, leve, refrescante, mas vieiras muitos pequenas, poderiam ser maiorzinhas.

Agora, um prato clássico do Kinoshita, que eles servem desde o início, um carpaccio de salmão com flocos de tempurá e ovas.
Como sempre digo, é nos pratos simples que se vê a grandiosidade de um lugar e esse talvez seja um ótima exemplo. Essa combinação de salmão, flocos de tempurá e ovas é replicada geralmente em bateras em diversos restaurantes, mas nunca se saem também bem quanto esse. A Execução do Kinoshita é ótima e eu comeria uma tigela inteira.

A seguir um dos pratos mais fracos da noite, polvo e camarão.Sim, o prato foi apenas isso. O molhinho verde ali se me lembro bem era azeite com algum tempero, nada mais, nem faz sentido estar num omakase.

Continuando, um fan-favorite atual do cenário paulistano: atum com foie-gras.Apesar de ter sido uma porção mediana, o Kinoshita acerta em cheio na combinação do atum com o foie-gras. É muito comum em muitos restaurantes moderninhos de hoje tentar se ganhar o cliente com pedaços gigantescos de foie, o que é bom, mas muda um pouco o propósito.

Agora, juro, outro prato fraco do Omakase, os sashimis. Essa foto engana um pouco, os sashimis era minúsculos e não tinham absolutamente nada de especial. Nem o salmão era de brilhar os olhos. As fatias precisam ser mais generosas, cortes quadrados e grossos (estilo japonês).

Agora os nigiris, aqui o Kinoshita não erra, os sushis possuem um equilíbrio perfeito e tamanho ótimo.
O arroz é excepcional e o shoyu da casa acompanha bem todos sushis. Mas no mundo paulistano dos sushis o Kinoshita fica pra trás claramente.

Agora sim, começamos a falar: Kobe beef!Nós vimos esse Kobe beef ser feito num forninho especial em nossa frente, que aquece igualmente por cima e por baixo. Vimos o cubo de Kobe ficar pronto aos poucos e ser fatiado também na nossa frente, se mostrando perfeitamente ao ponto.

Estava perfeito, não tem o que dizer, nota 10!

Aproveitando o papo com o pessoal do balcão quente (que vou contar mais em breve), nos serviram também fatias de Kobe cru mas marinados se não me engano. Estavam bons também, mas não melhores que o de cima. Eu particularmente gostei também pois tinha um toque de gengibre muito gostoso.
Agora um dos reis da noite: um bowl com gohan, 2 tempuras de camarão e uma gema ao ponto perfeito de cremosidadeEsse prato e uma perfeição, comeria todos os dias, TODOS OS DIAS. O camarão crocante e saboroso, principalmente com o tarê por cima e o gohan. Antes de mais nada desmanchei a gema e misturei com tudo. Essa gema sai de um ovo que foi cozido lentamente no sous-vide por 20h a 43 graus celsius. A chefe até nos contou que chegou a errar uma leve inteira de ovos. Ela também contou que os ovos do Kinoshita chegam todos carimbados.

E pra finalizar uma sobremesa clássica, se não me engano, sorvete de canela e mochi.
Essa sobremesa não brilhou aos olhos também, o mochi não estava legal e foi difícil de comer.

Antes de ir para os finalmente da visita, vale lembra que o Kinoshita possui uma sala privativa para eventos e ocasiões especiais onde só é servido omakase, então se você possui um jatinho dá pra considerar (brincadeira, não, é serio, hahaha)

Bom, vamos lá. Por que o Kinoshita foi ótima pra visita do pessoal do Rio de Janeiro? Para eles verem o que é um restaurante que foco num público de alto padrão, seja em preço, serviço, ambiente, bairro, público etc. O Kinoshita preenche todas essas funções com esmero, apenas ficou pra trás com a concorrência da cidade nos últimos anos.

Sentar no balcão quente foi uma experiência excelente, repito, excelente. Os 3 cozinheiros gaijins (ocidentais) são ótimos de papo e puderam passar inúmero insights para o restaurante que o investidor busca abrir, inclusive em questões de networking foi fundamental, já que estágios entre restaurantes é normal.

Fiquem atentos para o próximo episódio desse tour que aconteceu em 3 dias!

Imai Izakaya do Ronaldo Imai

Imai Izakaya, fora de rota, mas vale a pena

Aqui é o Marcelo Asamura da loja Konbini Produtos Orientais e hoje vou falar sobre o Imai Izakaya, é um Izakaya fora da rota, ou seja, não fica no Jardins, Pinheiros, Liberdade, Itaim ou Vila Olímpia. Ele fica na região da Cursino, para quem não conhece a Cursino, é uma avenida na região do Jardim da Saúde em São Paulo.

Bom, eu nunca teria conhecido o Imai alguns anos atrás, (é eu sei, demorei para publicar sobre ele), se não fosse um amigo coreano.
Pois é, coreano mesmo, logo que ele me falou que tinha um izakaya com pratos diferenciados naquela região, eu pensei: “esse coreano não sabe de nada, até parece”.

Depois dele insistir, eu acabei decidindo visitar o tal do Imai Izakaya, logo que cheguei, achei estranho porque é uma região bem residencial, você nem imagina que tem um restaurante japonês por lá, muito menos um Izakaya (boteco japonês).
Faz uns 2 anos atrás, era um restaurante simples (em meados de março de 2015), algum tempo atrás, eles reformaram e agora o izakaya tem um ambiente bem aconchegante.

Na época (2015), esse izakaya era um “achado”, se você não conhecer as pessoas certas, talvez nunca o encontraria.
Hoje em dia, muita gente conhece o Imai e alguns amigos vivem lá e não é por acaso, comida excelente e bebidas japonesas (saquê, shochu e cervejas) é o que garante que esse Izakaya fique sempre cheio.


Imagem: Auro Irasaka (fonte Google)

O Chef Ronaldo Imai prepara as iguarias do Izakaya, ele tem muita criatividade, consegue preparar pratos diferenciados com ingredientes exclusivos e em combinações improváveis.
Pedimos o Omakase que é o menu Degustação e neste dia (por sorte) tinha um belíssimo atum e dentre os pratos servidos tinha uma maravilho Chūtoro, ou seja, uma das partes mais nobres do atum que tem um sabor indescritível por ser a parte “gorda” do atum.
Então, vamos ao que interessa:

Saladinha de Frutos do Mar de Entrada.
Sashimi Selado de Atum com Molho Ponzu
Chu-toro batido com Ovas
Shimeji com Aspargos
Ceviche de Salmão ao molho de Wasabi
Gyutan (língua de boi)

 

Costelinha de Porco no Tarê
Polvo ao Molho Su Missô
Vieiras
Sashimi de Atum e Buri (Olho de Boi)
Um dos carros-chefe da casa: Tempurá de Shissô com Salmão e Ovas

Esse sou eu e o Chef Ronaldo Imai:  “esse chef virou um dos meus ídolos da culinária japonesa, menu diferenciado com ótimo custo/benefício.”

Recomendação final: visite o Imai, você não vai se arrepender.
Vantagens:
Menu Custo/Benefício e Menu de Iguarias.
Você escolhe se quer comer um Teishoku ou se está naquele dia para comemorar e pedir um Omakase.
O Chef é muito criativo, você vai experimentar pratos que não tem em outros lugares.
O clima é ótimo para comemorar tomando um saquê ou uma cerveja.

Desvantagem:
Fica longe das regiões mais badaladas de São Paulo, mas com certeza, vale a visita.

Endereço: R. Hipócrates, 139 – Cursino, São Paulo – SP

Visite o Facebook deles, tem algumas fotos de pratos que eu ainda não provei:
https://www.facebook.com/ImaiIzakaya/

“Acho que essa foto abaixo, deixa qualquer fã de Atum salivando.”

Elite Sushi Delivery, uma reflexão sobre os sushi-delivery

Elite Sushi Delivery jow ovo de codorna

Um dos maiores segredos do universo é como fazer um sushi delivery que preste.

Apesar de ter comido já mais de uma dezena de sushis-delivery, sou honesto, não teve ainda um que tenha sido excepcional e que tenha chegado perto de algum restaurante japonês bom mesmo, ou um balcão daqueles que dar gosto.

Esse obstáculo eu não consigo detalhar ou apontar um causador único. Pode ser o preço dos sushi-delivery, mais caros que a melhor das pizzas e o melhor dos hambúrgueres. Pode ser porque a maioria das embalagens de sushi não fazem o trabalho direito e sempre chega algo revirado e desmontado, o que é mais triste.

No fundo, a realidade é que a arte do sushi é muito complexa para um delivery. Um shari bom (arroz e sushi temperado) é difícil, a montagem dos sushis é trabalhosa, o tempero é desafiador, todo conceito que envolve o sushi não favorece o delivery.

Mas em São Paulo, basta abrir o Ifood que vocês vê pelo menos 10 opções de sushi-delivery e eu já experimentei a maioria, alguns se saem melhor que outros, é verdade, mas tem muito desastre.

Hoje vamos falar  do Elite Sushi, um delivery de comida japonesa super novo. Quando abri o cardápio porém uma notícia boa/ruim. Vou explicar. Vi ali muitos sushis que eu já conhecia de outros sushis delivery, como o SushiChic e o Nayoro. Aliás, sushis que não foram inventados por nenhum deles, mas sim por outros.

Bom, me sentindo em casa, fiz uma seleção de sushis que me interessava. A entrega foi rápida e o preço era um pouco mais convidativos que os outros deliveries. Vejam minha seleção:

Elite Sushi Delivery

Agora mais de perto:Elite Sushi Delivery

Como vocês podem ver, aí em cima tem hot roll, jow de salmão com ikura, sushi de vieira, sushi de camarão panado, uramaki de salmão trufado, e jow de ovo de codorna trufado.

Todos os sushis estavam ok, corretos, não estavam ruins, mas também não estavam bons. É uma ótima opção para quem quer começar a conhecer os sushis contemporâneos de São Paulo sem sair de casa e sem gastar muito.

Porém os mesmos sushis estavam aquém do real potencial dos ingredientes, por exemplo, a vieira precisa ser degustada geladinha e o jow de ovo de codorna, precisa explodir na sua boca.

Elite Sushi Delivery jow ovo de codorna

Mas o delivery não permite isso, a vieira naturalmente perde (ou ganha?) sua temperatura e o ovo de codorna termina de cozinhar no caminho.

Resumindo, a intenção é muito válida, mas precisa de ajustes muito técnicos, que vão além de juntar ingredientes. O Elite Sushi está num caminho já trilhado por alguns sushi-delivery, mas é um caminho muito desafiador, será que vale a essa briga com o ingrediente ou escolher um caminho alternativo?

E vocês já pediram sushi do Elite Sushi? Me contem como foi!

Abraços

Gourmet San

Sarumon: só salmão, funciona? SIM!

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

Oi pessoal, tudo bem?

Estive afastado das postagens aqui no blog, porém não parei de comer em restaurantes japoneses. E nos últimos tempos consegui visitar restaurantes novos e diferentes da minha lista corriqueira.

Voltando a ativa, visitei com um amigo de infância um restaurante que fica ali no Itaim e eu nunca tinha ouvido falar, o Sarumon, R. Pedroso Alvarenga, 365 – Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04531-010 Telefone: (11) 4562-4988

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados Saruman

Hahaha, não…. não se trata de um personagem do Senhor dos Anéis, mas sim de um restaurante que foca em apenas 1 tipo de peixe, o salmão!

Odiado pelos foodie-nazis pop do mundo cibernético, o salmão é um peixe belíssimo, versátil e delicioso, e que carrega o fardo de ter se popularizado em demasiado. Mas eu mantenho os pés no chão, arigatô Shake!

Pela primeira vez me deparei com um restaurante que abraçou a idéia de servir só salmão e já digo desde já, funciona perfeitamente! Os clientes já vão com expectativa alinhada e não tem chororô. E posso dizer que vivi isso empiricamente, o almoço numa quarta-feira estava cheio de pessoas do mundo financeiro e dos escritórios de advocacia do Itaim.

Pois bem, quando meu amigo me chamou pra almoçar no Sarumon, ele se preocupou em me alertar: “mas só tem salmão, ok??”. Isso acontece com frequência, as pessoas se preocupam no que o Gourmet San vai achar, mas eu sempre tento acalmá-los, eu entendo que existe restaurante pra todos os gostos e bolsos.

Pois bem, voltando ao Sarumon, é do mesmo dono do It Sushi, e isso se percebe facilmente pelos pratos servidos, como o spicy rock-shrimp:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão rock shrimp

E no formato dos enrolados e sushis servidos (na bandeja pelos garçons). Por falar nos sushis, todos são muito bem montadinhos e obviamente, todos de salmão:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

A variedade é bem satisfatória, assim como o sabor:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

O restaurante não tenta se reinventar, serve temakis (de salmão, rs) e clássicos como um carpaccio bem simples (de salmão):

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão carpaccio

O único prato que precisa ser repensado é esse abaixo, pasteizinhos. Não faz sentido nenhum, parece uma porçãozinha de pastel de boteco, será que é a idéia mesmo?

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão pastel

No final das contas, o Sarumon entrega o que promete e o rodízio por 60 reais está bem justo para a região e para o serviço rápido!

E vocês já foram ao Sarumon? Conhecem outros restaurantes que se dedicam exclusivamente em salmão?

Me contem mais aí embaixo nos comentários.

Abraços!

Gourmet San

Kenzo Sushi: iluminando a Liberdade

Kenzo Sushi Liberdade dupla de atum maguro

Oi pessoal, tudo bom?

Apesar de escrever durante +7 anos sobre culinária japonesa e visitando restaurantes japoneses em todas as partes da cidade de São Paulo e inclusive fora dela, o bairro da Liberdade não é uma região que eu explorei como poderia e deveria, shame on me! Mas de tempos em tempos vou pra lá e sempre faço questão de ter pelo menos uma refeição pra tirar o atraso! Dessa vez não foi diferente!

Depois de fazer os deveres comerciais (Ikesaki, Casa Bueno, Marukai, Empório Azuki) fui ao dever gastronômico! Sempre faço o mesmo, vou descendo a Galvão Bueno, entrando nas ruazinhas e vendo qual restaurante está menos lotado (fim de semana é dose) e qual bate aquela vontade de conhecer.

Liberdade Bairro japonês

Uma das ruas com mais opções é a Thomaz Gonzaga, onde estão alguns clássicos, como o Lamen Kazu, Porque Sim e o Ban. Mas essa rua não é bonita não, pelo contrário, ela parece abandonada, cheia dessas portinhas antigas se você não sabe se são restaurantes abertos, fechados, exclusivos etc…

É por isso que me chamou muita atenção uma portinha de madeira clara, reluzindo de nova! Lá se encontra o recém inaugurado Kenzo Sushi, Rua Thomaz Gozaga, 45F – Liberdade.

Entramos, afinal do lado de fora parecia promissor, o cardápio tinha preços honestos e combinados clássicos de restaurantes tradicionais, então senti confiança.

Dentro, o restaurante era ainda mais bonito, balcão lindo, reluzindo, depois fiquei sabendo que o arquiteto do Kenzo Sushi é o mesmo do fantástico Ryo, do Edson Yamashita.

Sentamos no balcão e olhando o cardápio pedimos um combinado de 14 sushis por 120 reais mais alguns sushis no a la carte, apenas nigiris! Preciso dizer que antes de fazer o pedido eu tinha ido ao banheiro e vi alguns nigiris chegando numa outra mesa e fiquei de olhos arregalados, pois estavam lindos, de encher os olhos e a barriga. Segue o cardápio (de nada):

Kenzo Sushi Liberdade cardápio

Bom, vamos lá, foi uma sequência linda de sushis, que merecem serem mostrados um a um:

1. Carapau

Kenzo Sushi Liberdade sushi de carapau

2. Buri (um dos mais gordos que comi nos últimos tempos)Kenzo Sushi Liberdade sushi de buri

3. PargoKenzo Sushi Liberdade sushi de pargo

4. RobaloKenzo Sushi Liberdade sushi de robalo

5. Polvo e Lula com shisoKenzo Sushi Liberdade sushi de tako e ika lula

6. Camarão com yuzuKenzo Sushi Liberdade sushi de camarão com yuzu

7. MassagoKenzo Sushi Liberdade sushi de ovas

8. UniKenzo Sushi Liberdade sushi de uni ovas de ouriço

9. VieiraKenzo Sushi Liberdade sushi de vieira

10. Unagui (maravilhosa!!!)

Kenzo Sushi Liberdade unagui

11. Atum

Kenzo Sushi Liberdade dupla de atum maguro

12. Saladinha de alga wakame (deliciosa, recomendo a todos)

Kenzo Sushi Liberdade salada alga wakame

Bela sequencia, não? Saí do Kenzo com alguns pensamentos na cabeça: (1) Preciso voltar logo aqui (2) Preciso contar pra pessoas sobre esse lugar (3) Mas que achado!

Além dos deliciosos sushis servido, tive a oportunidade de conversar bastante com a simpática Cintia, uma das responsáveis pelo restaurante e também com o sushi chef Hiro, que tem experiência numa lista notável dos melhores restaurantes de São Paulo, como Nagayama, Miyabi, Kinoshita, Jun etc. Sabe pouco o Hiro? Hahaha, sabe muito!

Num desses papos durante o almoço, eu falei pro chefe Hiro que eu estava impressionado com o arroz, que além de muito gostoso, estava com ótima textura e quando colocava o bolinho de arroz na boca ele se desmanchava. Hiro então abriu um enorme sorriso e agradeceu: “poxa fico muito feliz que você reparou, obrigado!”.

Seguindo o papo sobre arroz, ele montou dois bolinhos pra sushi sem o netá, um com a técnica correta e o outro não, adivinham dos 2 abaixo qual é certo?

Kenzo Sushi Liberdade shari arroz pra sushi

Então, na verdade é bem fácil =)

O da direita é o correto, vocês conseguem perceber que o bolinho está um pouco mais comprido? Com os grãos mais espaçados? É isso! O Chefe Hiro apertou menos para fazer o bolinho.

Eae pessoal gostaram do Kenzo Sushi? Eu virei fã e quero voltar lá o quanto antes! Recomendo muito!

Abraços

Gourmet San

Bueno, aquela refeição que te abraça por dentro

Izakaya Bueno restaurante japonês tonkatsu kare

Tinha um restaurante que estava na minha lista há muito tempo: Bueno!

Se não me engano os donos do Bueno são da escola do sumô, isso mesmo sumô:

Izakaya Bueno restaurante japonês sumô

O Bueno fica na Alameda Santos, 835, São Paulo, Tel (11) 2386-8035, e ele é basicamente um izakaya (boteco japonês), e é dos bons!  

Ele não é chamativo, uma porta de madeira que corre e pequenas frestas de vidro que iluminam bem o ambiente. Já do lado de dentro o ambiente é mais colorido e um grande balcão vermelho, onde recomendo sentarem. Ah! E Além disso, uma placa importante, em alto e bom som:

Izakaya Bueno restaurante japonês

Isso ae, não se confundam, pois a casa é de pratos quentes, saboreei-se com eles, não vai se decepcionar.

Eu estava sozinho, 6a feira chuvosa e fria em São Paulo, sentei logo ao balcão.

Sempre que vou uma primeira vez num restaurante eu exagero para poder experimentar mais do que o normal. Foi o que eu fiz. Mandei uma refeição digna de sumô (ou não, haha): karaage (uns 15 reais a porção de 5) e um tokatsu karê (uns 39 reais com saladinha e misoshiru)!

Pra quem não sabe, karaage nada mais é do que frango frito e tonkatsu karê, se você me seguem já sabem que sou fã, caldo de curry japonês com legumes e um lombo de porco empanado.

O Karaage chegou primeiro, confesso que fui um verdade newbie, nunca tinha comido, e, pasmem, eu não sabia que era desossado, eu tinha a impressão que era como um frango a passarinho, engano meu, é 10x melhor. Mais bem temperado, mais macio, mais suculento, enfim, tudo de bom, babem:

Izakaya Bueno restaurante japonês karaage

Babem de novo, serviram com um molhinho agridoce um pouco apimentado:

Izakaya Bueno restaurante japonês karaage

Depois chegou meu tokatsu karê, maravilhoso e com um aspecto que eu prezo muito, o equilíbrio de ingredientes. Cheguei ao final da última colherada ainda com uma fatia de tonkatsu, gohan e karê.

Sobre o prato em si, o tudo perfeito, o karê apimentado no ponto certo, espessura certa e o tonkatsu sem perder o empanado, o que aconteceu já em alguns lugares que comi.

Izakaya Bueno restaurante japonês tonkatsu kare

Por fim, toda essa fartura saiu por volta de 60 reais, ótimo preço, melhor ainda custo-benefício!

Já foi ao Bueno? Me passem recomendações, to louco pra voltar!

abs

Gourmet San

Gourmet San visita o lamen house Momofuku de David Chang

Momofuku Lamen

Oi pessoal, tudo bom?

Eu tardo mas não falho =)

Tive a oportunidade de ir a NY e sempre faço uma lista imensa de lugares para comer, claro que no fim vou em 5% deles apenas, pois na correria e canseira dos passeios você acaba comendo em locais não planejados ou repetidos.

Mas de vez em quando dá certo e é uma dessas vezes que vou contar a vocês!

Nos últimos tempos, comecei a me aprofundar no mundo dos lamens (ou ramens pros tradicionalistas) e sou sincero, ainda estou dando os primeiros passos, mas já consigo fazer algumas comparações que podem ajudar vocês.

Bom, vamos lá! Quem minimamente está inserido no mundo da gastronomia já ouviu falar de David Chang, esse sujeito sorridente aí embaixo:

David Chang Momofuku

Eu ouvi falar no David Chang durante as temporadas de Top Chef onde ele foi chefe-jurado inúmeras vezes em múltiplas temporadas. Depois eu comecei a segui-lo no Facebook e descobri que ele super-fã e amigo de nosso chefe estrela Alex Atala.

Pois bem, em suas postagens em redes sociais o David Chang sempre fala muito de seus restaurantes em NY, mas principalmente sobre seu mais famoso, a casa de lamen chamada Momofuku! O restaurante fica em East Village, 171 1st Avenue, entre a 10th e 11th Street.

Uma amiga minha que mora em NY nos convidou pra jantar lá, mas como ela já manja dos paranauê, ela disse que ia chegar mais cedo pra pegar a fila. Pois é, nada que eu não esperasse, certeza que um restaurante de um chefe tão famoso assim não estaria nada menos do que cheio numa 2a feira a noite.

O restaurante é moderno e possui longos balcões comunitários de madeira clara, super agradável e bem cheio, burburinho puro urbano, hahaha. Graças a minha amiga, sentamos depois de uns 10 minutos esperando.

O cardápio não ajuda, diversas opções deliciosas e, vejam só, variam toda semana!

Bom, como não estávamos de brincadeira, pedimos 2 buns, que se trata de sanduichinhos com o pão mais fofinho do mundo, super macio.

O primeiro que comemos foi um incrível shrimp bun:
Momofuku shrimp bun

Nem me perguntei como esse camarão foi preparado, não tenho a mínima idéia! Só sei que estava delicioso, comeria um desse todo dia. Camarão suculento e com uma textura ótima também, nem firme nem macio demais.

A seguir pedimos um shitake bun:
Momofuku shitake bun

Tão bom quanto, shitake preparado com esmero, só não digo que era melhor que o shrimp bun porque é impossível, hahaha, sacanagem.

E, finalmente, o meu pedido de lamen, o que leva o nome do local: Momofuku.

Momofuku Lamen

Já digo que o grande destaque vai pro conjunto da obra, lamen delicioso. Todos acompanhamento interagem muito bem, é um lamen equilibrado. O destaque vai pra fatia de porco, DESMANCHANDO! Deve ficar cozinhando durante muiiiiiiiito  tempo.

Porém vou te falar, o caldo me decepcionou um pouco, eu esperava um sabor mais marcante, mais Umami! Mas na próxima experimentarei outro para ver se esse é mais levinho mesmo.

E você, curte lamen? Curte, né? To ligado!

Me conta abaixo o que achou.

Abraços

Shoyus da minha dispensa (qual shoyu comprar?)

qual shoyu comprar

Oi pessoal, tudo bom?

Durante 7 anos escrevo sobre minhas experiências em restaurantes japoneses, também possuo uma série de receitas e como fazer sushi em casa!

Mas só nos últimos tempos me toquei que nunca falei sobre um dos principais elementos da culinária japonesa: o SHOYU, o famosíssimo molho de soja.

Ele está presente em quase todos pratos da culinária japonesa, seja como tempero simples, como parte de molhos mais complexos e sendo parte do cozimento de ingredientes.

Mas até aí nenhuma novidade, certo? Parece que shoyu é um ingrediente simples, mas não é. Quem tem rodagem com comida japonesa percebe a grande diferença entre shoyus disponíveis no mercado.

Hoje não me aprofundarei sobre como o shoyu é feito ou sobre diferenças sutis e seus ingredientes. Vou passar algo mais prático pra vocês, um guia básico de 3 tipos diferentes shoyus que eu recomendo e que possuem diferenças fundamentais que vocês precisam conhecer.

1.Kikkoman Tradicional:

Já digo com todas letras: MELHOR SHOYU na minha opinião! Se encontrar, compre! Kikkoman possui aroma frutado e característico que você percebe facilmente. A cor também é mais clara que a maioria dos shoyus, leva um pouquinho pro laranja.

Mas agora o mais importante de tudo, ele deixa o peixe cru com um sabor muito melhor, ele não apenas tempera, mas também faz com que o sabor de cada peixe fique mais acentuado, resumindo, um sushi e sashimi mais saboroso.

Qual Shoyu Comprar - Shoyu Kikkoman

Correção: o pessoal da Kikkoman entrou em contato comigo e informou que o Shoyu tradicional deles não contém açúcar como o da Daiso, e também não tem conservantes, aromatizantes, glutamato monossódico e corantes.

2.Daiso (sem açúcar):

A minha mais recém e grata surpresa! O shoyu da Daiso tem um ponto muito importante: NÃO TEM AÇÚCAR! Quão incrível é isso? Na era que vivemos onde buscamos sempre alimentos que agridem menos nosso corpo e que nos permitem ter uma vida mais saudável, conhecer e ter um shoyu desse no armário é um grande trunfo.

Além dessa incrível característica o shoyu da Daiso me surpreendeu também por seu sabor e aroma. Ficando bem próximo ao Kikkoman, mas muito melhor que todos os outros shoyus “comerciais” que vocês encontram por aí. A Daiso sem dúvida oferece um ótimo shoyu para ser comprado.

Qual Shoyu Comprar - Shoyu Daiso

3. Kikkoman com menos Sódio (light):

Um shoyu que até 1 mês atrás eu desconhecia, tudo que eu pensava sobre a Kikkoman era sobre seu shoyu tradicional excelente, porém me deparei com esse shoyu com 37% MENOS SÓDIO, sem açúcar, sem aromatizantes e sem corantes! Imagina só, a grande maioria dos shoyus light do mercado possuem 30% menos sódio, esse da Kikkoman vem com menos ainda. Para quem se preocupa em consumir menos sal e sódio, maneirar nas calorias, é uma ótima escolha.

Acima disso tudo, eu assumo que shoyu light sempre foi uma tristeza pra mim, saborzinho fraco, parecia shoyu misturado com água. Mas o caso do shoyu light da Kikkoman é outro! Não vou mentir pra vocês, ele não é tão gostoso como o tradicional, ela é mais fraquinho mesmo, porém ao comparar com os outros shoyus light ele está bem a frente.

Qual Shoyu Comprar - Shoyu Kikkoman

Agora o drama, ONDE COMPRAR ESSES SHOYUS? Pois é, você dificilmente encontrará esses 3 ótimos shoyus em supermercados do circuito, aliás, a grande maioria dos shoyus encontrados nessa prateleiras eu não recomendo não.

Esses shoyus bacanudos que listei você encontrará apenas em mercearias japonesas, no bairro da Liberdade em São Paulo ou online em lojas como a Konbini.

Vocês já conheciam esses shoyus? Qual vocês gostam mais? Quais consomem em casa?

E gostaram do post? Gostariam de saber mais sobre shoyus?

Contem pra mim!

Abraços!

Gourmet San

Tsutomu Murashima – O Mestre do Arroz

Eae pessoal, tudo bom?

Faz um tempo me deparei com um vídeo muiiiiito interessante, incrível. Mais uma história da riquíssima culinária japonesa. Se trata Tsutomu Murashima, um velhinho aclamado como o Mestre do Arroz!

O vídeo abaixo está em ótima qualidade e é um colírio aos olhos a quem aprecia um bom gohan (arroz em japonês). Se atentem ao enorme carinho que ele possui pelo o que faz, como todo dia ele faz exatamente a mesma coisa, cozinha arroz, e trabalha incessantemente buscando fazer um gohan melhor.

Ao final, vejam o sorriso dele ao provar o arroz!