Quer um Kare apimentado em São Paulo? Vai pro Kidoairaku

Oi pessoal, tudo bem?

Quando comecei a explorar a Liberdade (o bairro, não o conceito abstrato sociológico, rs) lá atrás, eu obviamente comecei pelos sushis e mesmo nos restaurantes mais tradicionais e com pratos quentes excelentes, acaba escolhendo os frios.

E teve a ocasião, onde indo contras minhas inclinações da época, fui ao Kidoairaku para comer um Kare e o atendente da época disse: “Olha…(gaijin, rs) é apimentado!” Com medo e ainda inexperiência, refuguei e pedi um teishoku de sashimi.

Mas tudo que vai volta! E após ganhar muita quilometragem (até no Japão), comendo Kare, recentemente retornei lá e fui firme:”QUERO O TONKATSU KARE”. Ouvi novamente: “olha…..é apimentado!”. Falei, “Pode trazer”, todo seguro de mim.

Pois bem, vejam abaixo:
Isso…agora vejam melhor!

Pessoal, se você gosta de Kare apimentado, esse é o lugar pra vocês, definitivamente ele não é mediano, ele é forte (pro meu paladar). Logo que vi, pensei o mesmo que vocês…”nossa, escuro, né?” Pois bem ele realmente é encorpado e delicioso em todos aspectos, mas…É PICANTE!

O Tonkatsu em si estava bom! MAs confesso a vocês, que depois do Japão sua concepção de tonkatsu muda. Mas isso não estraga o prato, ele é excelente.

Bom, fica a dica e o aviso, rs, se for ao Kidoairaku, já sabem o que esperar!

Abraços!

Sushi Tour SP episódio 1: Kinoshita

Estou devendo a vocês…

Nesses últimos meses algumas outras atribuições do dia-a-dia tem me prevenido de escrever aqui, sobretudo as minhas tardes de domingo, que é quando geralmente sento e escrevo. Mas vou tentar retomar após as inúmeras mensagens que recebi.

Uns meses atrás eu fui contratado por um grupo de investidores/restauranteurs do Rio de Janeiro para guiá-los num tour em São Paulo pelos melhores restaurantes dentro de um perfil específico que eles buscavam: modernos e contemporâneos. Ou seja, os tradicionalistas que me perdoem (eu mesmo sou um), mas neste e nos episódios seguintes não encontrarão Shin Zushi nem Hamatyo nem Kansuke.

Nossa primeira parada foi devido ao nome e a fama: Kinoshita.

Era 4a a noite, liguei mais cedo pra saber se havia necessidade de reserva e disseram que não. Pois bem, os tempos áureos do Kinoshita passaram, tem de ficar de olho agora que o Murakami também saiu de lá. Vamos ver o que se sucede.

Cheguei poucos minutos mais cedo que o pessoal e sentei no balcão quente (também tem o balcão frio).

Foi um acerto pois antes de mais nada a cozinha do Kinoshita é das melhores, digo a aparelhagem, não faz barulho, não tem cheira de fritura, nada, os caras tem o creme de la creme lá.

Não tínhamos nem dúvida pedimos o omakase! Vale a pena dizer que hoje não há mais 3 opções mas sim apenas 1. Muito mais sensato em termos de logística pra cozinha.

Vale a pena dizer que o Kinoshita não mudou nada das ultimas 2x que eu já tinha ido, ou seja, maitre de primeira linha, especialista em sake, provavelmente todos falando japonês etc.

Vamos ver os pratos servidos?

Começamos com um shot de ostra:

Sendo bem honesto achei o prato fraco. O Aze Sushi possui um prato similar que se chama ovo perfeito que é muito melhor, mais equilibrado, mais Umamístico, hahaha.

A seguir, as vieiras vivas de Picinguaba/Ubatuba.

Prato lindo de ser ver e comer, leve, refrescante, mas vieiras muitos pequenas, poderiam ser maiorzinhas.

Agora, um prato clássico do Kinoshita, que eles servem desde o início, um carpaccio de salmão com flocos de tempurá e ovas.
Como sempre digo, é nos pratos simples que se vê a grandiosidade de um lugar e esse talvez seja um ótima exemplo. Essa combinação de salmão, flocos de tempurá e ovas é replicada geralmente em bateras em diversos restaurantes, mas nunca se saem também bem quanto esse. A Execução do Kinoshita é ótima e eu comeria uma tigela inteira.

A seguir um dos pratos mais fracos da noite, polvo e camarão.Sim, o prato foi apenas isso. O molhinho verde ali se me lembro bem era azeite com algum tempero, nada mais, nem faz sentido estar num omakase.

Continuando, um fan-favorite atual do cenário paulistano: atum com foie-gras.Apesar de ter sido uma porção mediana, o Kinoshita acerta em cheio na combinação do atum com o foie-gras. É muito comum em muitos restaurantes moderninhos de hoje tentar se ganhar o cliente com pedaços gigantescos de foie, o que é bom, mas muda um pouco o propósito.

Agora, juro, outro prato fraco do Omakase, os sashimis. Essa foto engana um pouco, os sashimis era minúsculos e não tinham absolutamente nada de especial. Nem o salmão era de brilhar os olhos. As fatias precisam ser mais generosas, cortes quadrados e grossos (estilo japonês).

Agora os nigiris, aqui o Kinoshita não erra, os sushis possuem um equilíbrio perfeito e tamanho ótimo.
O arroz é excepcional e o shoyu da casa acompanha bem todos sushis. Mas no mundo paulistano dos sushis o Kinoshita fica pra trás claramente.

Agora sim, começamos a falar: Kobe beef!Nós vimos esse Kobe beef ser feito num forninho especial em nossa frente, que aquece igualmente por cima e por baixo. Vimos o cubo de Kobe ficar pronto aos poucos e ser fatiado também na nossa frente, se mostrando perfeitamente ao ponto.

Estava perfeito, não tem o que dizer, nota 10!

Aproveitando o papo com o pessoal do balcão quente (que vou contar mais em breve), nos serviram também fatias de Kobe cru mas marinados se não me engano. Estavam bons também, mas não melhores que o de cima. Eu particularmente gostei também pois tinha um toque de gengibre muito gostoso.
Agora um dos reis da noite: um bowl com gohan, 2 tempuras de camarão e uma gema ao ponto perfeito de cremosidadeEsse prato e uma perfeição, comeria todos os dias, TODOS OS DIAS. O camarão crocante e saboroso, principalmente com o tarê por cima e o gohan. Antes de mais nada desmanchei a gema e misturei com tudo. Essa gema sai de um ovo que foi cozido lentamente no sous-vide por 20h a 43 graus celsius. A chefe até nos contou que chegou a errar uma leve inteira de ovos. Ela também contou que os ovos do Kinoshita chegam todos carimbados.

E pra finalizar uma sobremesa clássica, se não me engano, sorvete de canela e mochi.
Essa sobremesa não brilhou aos olhos também, o mochi não estava legal e foi difícil de comer.

Antes de ir para os finalmente da visita, vale lembra que o Kinoshita possui uma sala privativa para eventos e ocasiões especiais onde só é servido omakase, então se você possui um jatinho dá pra considerar (brincadeira, não, é serio, hahaha)

Bom, vamos lá. Por que o Kinoshita foi ótima pra visita do pessoal do Rio de Janeiro? Para eles verem o que é um restaurante que foco num público de alto padrão, seja em preço, serviço, ambiente, bairro, público etc. O Kinoshita preenche todas essas funções com esmero, apenas ficou pra trás com a concorrência da cidade nos últimos anos.

Sentar no balcão quente foi uma experiência excelente, repito, excelente. Os 3 cozinheiros gaijins (ocidentais) são ótimos de papo e puderam passar inúmero insights para o restaurante que o investidor busca abrir, inclusive em questões de networking foi fundamental, já que estágios entre restaurantes é normal.

Fiquem atentos para o próximo episódio desse tour que aconteceu em 3 dias!

Kenzo Sushi: iluminando a Liberdade

Kenzo Sushi Liberdade dupla de atum maguro

Oi pessoal, tudo bom?

Apesar de escrever durante +7 anos sobre culinária japonesa e visitando restaurantes japoneses em todas as partes da cidade de São Paulo e inclusive fora dela, o bairro da Liberdade não é uma região que eu explorei como poderia e deveria, shame on me! Mas de tempos em tempos vou pra lá e sempre faço questão de ter pelo menos uma refeição pra tirar o atraso! Dessa vez não foi diferente!

Depois de fazer os deveres comerciais (Ikesaki, Casa Bueno, Marukai, Empório Azuki) fui ao dever gastronômico! Sempre faço o mesmo, vou descendo a Galvão Bueno, entrando nas ruazinhas e vendo qual restaurante está menos lotado (fim de semana é dose) e qual bate aquela vontade de conhecer.

Liberdade Bairro japonês

Uma das ruas com mais opções é a Thomaz Gonzaga, onde estão alguns clássicos, como o Lamen Kazu, Porque Sim e o Ban. Mas essa rua não é bonita não, pelo contrário, ela parece abandonada, cheia dessas portinhas antigas se você não sabe se são restaurantes abertos, fechados, exclusivos etc…

É por isso que me chamou muita atenção uma portinha de madeira clara, reluzindo de nova! Lá se encontra o recém inaugurado Kenzo Sushi, Rua Thomaz Gozaga, 45F – Liberdade.

Entramos, afinal do lado de fora parecia promissor, o cardápio tinha preços honestos e combinados clássicos de restaurantes tradicionais, então senti confiança.

Dentro, o restaurante era ainda mais bonito, balcão lindo, reluzindo, depois fiquei sabendo que o arquiteto do Kenzo Sushi é o mesmo do fantástico Ryo, do Edson Yamashita.

Sentamos no balcão e olhando o cardápio pedimos um combinado de 14 sushis por 120 reais mais alguns sushis no a la carte, apenas nigiris! Preciso dizer que antes de fazer o pedido eu tinha ido ao banheiro e vi alguns nigiris chegando numa outra mesa e fiquei de olhos arregalados, pois estavam lindos, de encher os olhos e a barriga. Segue o cardápio (de nada):

Kenzo Sushi Liberdade cardápio

Bom, vamos lá, foi uma sequência linda de sushis, que merecem serem mostrados um a um:

1. Carapau

Kenzo Sushi Liberdade sushi de carapau

2. Buri (um dos mais gordos que comi nos últimos tempos)Kenzo Sushi Liberdade sushi de buri

3. PargoKenzo Sushi Liberdade sushi de pargo

4. RobaloKenzo Sushi Liberdade sushi de robalo

5. Polvo e Lula com shisoKenzo Sushi Liberdade sushi de tako e ika lula

6. Camarão com yuzuKenzo Sushi Liberdade sushi de camarão com yuzu

7. MassagoKenzo Sushi Liberdade sushi de ovas

8. UniKenzo Sushi Liberdade sushi de uni ovas de ouriço

9. VieiraKenzo Sushi Liberdade sushi de vieira

10. Unagui (maravilhosa!!!)

Kenzo Sushi Liberdade unagui

11. Atum

Kenzo Sushi Liberdade dupla de atum maguro

12. Saladinha de alga wakame (deliciosa, recomendo a todos)

Kenzo Sushi Liberdade salada alga wakame

Bela sequencia, não? Saí do Kenzo com alguns pensamentos na cabeça: (1) Preciso voltar logo aqui (2) Preciso contar pra pessoas sobre esse lugar (3) Mas que achado!

Além dos deliciosos sushis servido, tive a oportunidade de conversar bastante com a simpática Cintia, uma das responsáveis pelo restaurante e também com o sushi chef Hiro, que tem experiência numa lista notável dos melhores restaurantes de São Paulo, como Nagayama, Miyabi, Kinoshita, Jun etc. Sabe pouco o Hiro? Hahaha, sabe muito!

Num desses papos durante o almoço, eu falei pro chefe Hiro que eu estava impressionado com o arroz, que além de muito gostoso, estava com ótima textura e quando colocava o bolinho de arroz na boca ele se desmanchava. Hiro então abriu um enorme sorriso e agradeceu: “poxa fico muito feliz que você reparou, obrigado!”.

Seguindo o papo sobre arroz, ele montou dois bolinhos pra sushi sem o netá, um com a técnica correta e o outro não, adivinham dos 2 abaixo qual é certo?

Kenzo Sushi Liberdade shari arroz pra sushi

Então, na verdade é bem fácil =)

O da direita é o correto, vocês conseguem perceber que o bolinho está um pouco mais comprido? Com os grãos mais espaçados? É isso! O Chefe Hiro apertou menos para fazer o bolinho.

Eae pessoal gostaram do Kenzo Sushi? Eu virei fã e quero voltar lá o quanto antes! Recomendo muito!

Abraços

Gourmet San

Bueno, aquela refeição que te abraça por dentro

Izakaya Bueno restaurante japonês tonkatsu kare

Tinha um restaurante que estava na minha lista há muito tempo: Bueno!

Se não me engano os donos do Bueno são da escola do sumô, isso mesmo sumô:

Izakaya Bueno restaurante japonês sumô

O Bueno fica na Alameda Santos, 835, São Paulo, Tel (11) 2386-8035, e ele é basicamente um izakaya (boteco japonês), e é dos bons!  

Ele não é chamativo, uma porta de madeira que corre e pequenas frestas de vidro que iluminam bem o ambiente. Já do lado de dentro o ambiente é mais colorido e um grande balcão vermelho, onde recomendo sentarem. Ah! E Além disso, uma placa importante, em alto e bom som:

Izakaya Bueno restaurante japonês

Isso ae, não se confundam, pois a casa é de pratos quentes, saboreei-se com eles, não vai se decepcionar.

Eu estava sozinho, 6a feira chuvosa e fria em São Paulo, sentei logo ao balcão.

Sempre que vou uma primeira vez num restaurante eu exagero para poder experimentar mais do que o normal. Foi o que eu fiz. Mandei uma refeição digna de sumô (ou não, haha): karaage (uns 15 reais a porção de 5) e um tokatsu karê (uns 39 reais com saladinha e misoshiru)!

Pra quem não sabe, karaage nada mais é do que frango frito e tonkatsu karê, se você me seguem já sabem que sou fã, caldo de curry japonês com legumes e um lombo de porco empanado.

O Karaage chegou primeiro, confesso que fui um verdade newbie, nunca tinha comido, e, pasmem, eu não sabia que era desossado, eu tinha a impressão que era como um frango a passarinho, engano meu, é 10x melhor. Mais bem temperado, mais macio, mais suculento, enfim, tudo de bom, babem:

Izakaya Bueno restaurante japonês karaage

Babem de novo, serviram com um molhinho agridoce um pouco apimentado:

Izakaya Bueno restaurante japonês karaage

Depois chegou meu tokatsu karê, maravilhoso e com um aspecto que eu prezo muito, o equilíbrio de ingredientes. Cheguei ao final da última colherada ainda com uma fatia de tonkatsu, gohan e karê.

Sobre o prato em si, o tudo perfeito, o karê apimentado no ponto certo, espessura certa e o tonkatsu sem perder o empanado, o que aconteceu já em alguns lugares que comi.

Izakaya Bueno restaurante japonês tonkatsu kare

Por fim, toda essa fartura saiu por volta de 60 reais, ótimo preço, melhor ainda custo-benefício!

Já foi ao Bueno? Me passem recomendações, to louco pra voltar!

abs

Gourmet San

Almoçando no agradável Hirá de Daniel Hirata

Izakaya Hira Shakedon

Oi pessoal, tudo bem?

Fazia tempo que eu estava com vontade de fazer algo bem trivial, passear pela Vila Madalena e almoçar ali no Hirá, num dia de semana! rs…

Aproveitei um dia de saga com o conserto do carro, onde tive de levá-lo em 2 lugares diferentes (o famoso combo, freio+pneus novos+alinhamento+balanceamento) e como estava na região aproveitei para ir com bastante sossego ao Hirá!

Entrei e sentei logo pertinho da porta, estava a fim de ver o movimento na rua, invejar aqueles que trabalham na Vila Madalena, pela manhã, é claro.

Perguntei pelo Daniel Hirata, mas ele estava descansando, muito merecido, pelo o que conheço do Daniel dos tempos de Mori Ohta, ele trabalha MUITO, do tipo que faz questão de trabalhar quando ninguém mais está só para criar oportunidades novas para o próprio negócio.

O restaurante estava consideravelmente cheio, mas o serviço foi tranquilo do começo ao fim.

Olhando o cardápio, ficou difícil escolher, segurar a gula principalmente. É lamen pra cá (especialidade da casa), pork bun pra lá, tonkatsu kare, novidades do chefe etc.

Fui firme, firme demais, e resisti pedir meu prato favorito, o Tonkatsu Kare! Assim sendo, resolvi pedi algo novo da casa, uma recomendação do chefe, especial pro verão, o Shake don (era uns 50 reais)! Se trata de um bowl de arroz (gohan) com fatias de salmão por cima e nesse caso ovas do salmão também (ikura).

Mas claro que………minha vontade de comer algo mais não foi deixada de lado, pedi um delicioso pork bun, que eles chamam de buttah bun, ou pancetta bun, algo assim, vejam abaixo e babem, pois estava divino!!!

Izakaya Hira Porkbun

Após abrir um sorriso comendo esses mini sanduichinhos de porco, veio o meu Shakedon:

Izakaya Hira Shakedon

Lindo prato, não? Bela apresentação!

Delicioso e mais que suficiente para 1 pessoa. Vale mencionar que essa folha verde é pra comer, é o shiso, primo do hortelã, comumente servido com uni (ovas de ouriço), lula (ika) etc. Um breve regada de shoyu por cima (pra matar do coração qualquer tradicionalista, rs). Explico melhor, tradicionalmente é errado regar com o shoyu o gohan, além disse ele molhado fica muito mais difícil pegar com o hashi.

Deem mais uma olhadinha de perto:

Izakaya Hira Shakedon

Patrocínio ali em cima da Rayban (brincadeira, quem me dera, ahah).

E para finalizar uma sobremesa incrível que fazia parte do almoço, o chouxcream (leia-se chucrãm)Screen Shot 2017-02-07 at 10.41.10 PM

É como se fosse um sonho, mas com o japanese approach. Não preciso nem dizer, estava bom demais!

No final, a conta de uns 60-70 reais, muito bom pra um almoço, com entrada, prato principal e sobremesa.

Recomendo muito o Hirá, e vocês já foram?

Abraços

Gourmet San


Izakaya Hira Porkbun

Ryo, de Edson Yamashita, o único kaiseki do Brasil!

Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Oi gente, tudo bem?

Faz mais de 1 mês que não escrevo =(

Sim, o final de ano é sempre corrido, atribulado e cheio de coisas, mas vocês podem sempre acompanhar pelo Instagram que continuo postando e visando lugares (não sempre novos, rs).

Pois bem, mas hoje a review é de um lugar novinho, que não tem nem 6 meses de vida, é o Ryo, restaurando novo do Edson Yamashita (Ex-Aze Sushi, Shin Zushi e Sushi Kan da matriz no Japão), basicamente um cara que entende muito da culinária japonesa! O Ryo fica na Rua Pedroso Alvarenga, 665 Itaim Bibi, telefone: 11 3881-8110 / 11-99221-2525 / contato@ryogastronomia.com.br

Já passei todas informações de contato aí em cima pois é bom vocês saberem que só atendem por reserva!

Depois de mais 1-2 anos que saiu do comando do Aze Sushi o Edson Yamashita percorreu o Japão e buscou lugares para seu novo empreendimento em São Paulo, demorou, mas não falhou, fiquei encantado com o Ryo, do começo ao fim.

Vamos lá.

Pera, vamos lá não…antes de falar do restaurante em si, é preciso que vocês saibam que ele funciona no sistema “Kaiseki (会席), que é um conceito que contempla uma forma de arte da culinária japonesa que equilibra sabor, textura, aparência e cores dos alimentos por meio de uma sequência de pratos tradicionais, artisticamente formatados, semelhante a um “menu degustação”, onde são usados ingredientes sazonais, únicos e frescos, incluindo também ingredientes locais.”

Entendeu? Bom, eu resumo, é uma experiência gastronômica que funciona similar ao menu degustação, porém os pratos servidos, além de harmonizarem entre si (sempre culminando no umami, o 5o sabor), também tem relação direta com a sazonalidade dos ingredientes da região. Isso faz com que o cardápio mude sempre, segundo o próprio Edson a idéia é mudar toda semana! Baita desafio!

Assim sendo, aproveitei que a casa estava com 30% de desconto e fui provar, como de costume quando quero comer com calma, abri a casa, cheguei 18h, ainda estavam preparando tudo e foi ótimo pra observar o restaurante e bater um papo com o Edson.

O ambiente é lindo, aliás, deem uma olhada no balcão:

Ryo Culinária Japonesa balcão

Ryo Culinária Japonesa balcão

E também no menu do dia:Menu Kaiseki Ryo Culinária Japonesa balcão

Não demorou muito e começaram a me servir os pratos! Mas antes dos pratos, uma surpresa, junto do bancha, serviram uma água com um ph especial que traz uma purificação maior do corpo, super interessante, e pra mim restaurante desse gabarito tem de impressionar do começo ao fim mesmo:

Ryo Culinária Japonesa balcão

E vamos partir logo para os pratos que foi um show de imagens, sabores e texturas!

Abaixo a sopa de marisco, o polvo e o atum!Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Os 3 totalmente diferentes, com características únicas, uma delícia, o polvo da família Shin Zushi não tem igual, realmente de uma maciez incrível.
Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Depois me serviram um caldo de legumes delicioso, aliás, é o único jeito de eu comer nabo, rs. Vejam o video, muito mal gravado por mim mesmo. Pois é, eu gravei com o celular de pé ao invés de deitado, desculpem, mas deu pra captar a idéia:

Depois foi servido o prato de sashimis, linda apresentação, acho que a mais bela que já vi na vida (ah, agora acertei no video):

Nunca tinha presenciado nada assim, uma apresentação que eu mesmo tive de interagir, demais! Os peixes estavam super saborosos e fresquinhos, nada menos do que o esperado.

Seguindo me serviram o ponto único ponto mais fraco da refeição, o pato. Apesar da apresentação novamente linda e do ótimo purê de brócolis e vinagrete de alcachofra, realmente o pato não estava tão macio.
Screen Shot 2017-01-22 at 11.23.33 PMDepois dos pratos, começou a sequência de sushis! Quem conhece o Edson sabe que a mão dele devia coçar ali atrás do balcão do Aze Sushi, só comandando e sem botar a mão na massa, literalmente! Assim sendo dá pra ver que no Ryo ele fica mais do que feliz em servir sushis novamente, um a um.

São servidos 6 sushis na refeição, segue abaixo as delícias:

Toro do dia:
sushi de toro kaiseki Ryo Culinária Japonesa
O mais bonito do dia, xaréu:
sushi de xareu kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de serra:

sushi de serra kaiseki Ryo Culinária JaponesaSushi de engage (músculo da garoupa):
sushi de engawa kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de vieira:sushi de vieira kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de Uni:
uni  kaiseki Ryo Culinária JaponesaE como último prato, algo inédito pra mim, tomate momotaro recheado de peixe:
Tomate momotaro sobremesa moti e sorbet de cereja kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Esse tomate é algo único, muito diferente mesmo, a textura, sabor e o molhinho, foi bem interessante.

E como sobremesa, morango coberto por chocolate e moti e sorbet de cereja!sobremesa moti e sorbet de cereja kaiseki Ryo Culinária Japonesa

O sorbet é feito em casa e o moti com chocolate e morango foi feito na minha frente, muito muito muito bom, gostoso e confesso que foi minha 1a vez comendo moti, me surpreendeu, gostei bastante!

Agora pra completar, vamos lá, vale a pena? Sim! Se não me engano o valor fechado é entre 180 e 200 e ainda há vouchers de 30%, aí vale muito a pena, se não, continua valendo mesmo sim. Antes de mais nada é o único restaurante no Brasil inteiro que trabalha abertamente com o sistema kaiseki, se vocês conhecem outro me avisem. E não me vem com Kinoshita, pois ele não é.

Recomendo pra ocasiões especiais e pra apreciadores de profusão de sabores, afinal a refeição segue uma cadência pra chegar ao umami e isso faz a experiência ser única.

Eae, o que achar? Curtiram? Já foram?

Abraços

Gourmet San

Yoshida San e seu balcão – Patrimônio de São Paulo

Olá a todos,

Para vocês que me acompanham no decorrer dos anos, sabem que eu não tenho frescura foodie, muito menos a de fascistas anti-foodie. Traduzindo: eu acho que a diversificação de approaches que a culinária japonesa possui é válida, afinal cada pessoa tem um paladar diferente e também um bolso diferente. Quão simples e sem graça seria se só existissem rodízios de 49,90? Quão segregacionista e elitista seria a culinária japonesa se só tivéssemos Kinoshitas e Juns? Cada um tem seu valor.

Eu tenho o prazer de ir em tudo quanto é lugar, as vezes gasto menos, as vezes gasto mais, porém ganho uma visão completa do cenário.

Dentre todas essas possibilidades (hoje já se encontram mais estáveis e não mais naquele boom descontrolado de anos atrás) tenho que levantar um único lugar, único em São Paulo: o balcão do Yoshida San – O Hamatyo.

Conheci o Hamatyo anos atrás (leiam minha 1a review) e depois fui mais 1-2x e sempre foi igual, praticamente idêntico! Reconheço que nesse espaço de tempo cheguei a me incomodar pelo restaurante não variar muito, afinal eu fui num intervalo de 1 ano e meio e comi exatamente a mesma sequência.

Mas hoje penso diferente, não sinto nem a empolgação da 1a visita, nem o conformismo da 2a e 3a. Hoje eu sinto um respeito infinito combinado a uma sensação de que o lugar tem uma aura única e especial. O balcão do Yoshida devia ser tombado! É um lugar que vai deixar muita saudade e vai fazer mais falta que os extintos Rangetsu e Shintori. Explico mais abaixo, mas antes, vamos dar uma olhada nos incríveis sushis que comi no balcão do Yoshida:

 

Agora que você viram as fotos, vou tentar contar um pouco da experiência ao vivo, que é umas 100x mais incrível, aproveito e explico o que faz do Hamatyo o Hamatyo.

O ambiente é 100% tradicional, um balcão de madeira, longo, bem cuidado, louças bonitas mas não extravagantes. Funcionários? 3. O segurança na porta, Yoshida e sua esposa (que não faz meias palavras com quem acha que é rodízio). Valor do Sushi Hamatyo (a sequência máxima acima) é de 200 reais, não cobram taxa de serviço. Chá quente? Cortesia como tem de ser. Missoshiru? Cortesia como tem de ser.

Dificilmente a casa fica cheia, aliás, em geral só vai quem é comensal regular, aventureiros são raros, no Hamatyo vai quem sabe o que quer e o que vai encontrar.

Os sushis do Yoshida são grandes, repito, GRANDES, mas não devido ao bolinho de arroz, mas sim a perfeita e harmoniosa combinação com uma farta fatia de peixe. Aliás, por falar sobre a fatia de peixe (ou netá em japonês) os cortes do Yoshida são precisos e para cada pedaço do peixe ele faz um corte condizente. Recomendo que subam a página e revejam como os cortes do Yoshida não são lâminas de peixe, mas sim fatias generosas.

Sobre o custo benefício, não vou dizer que é ótimo, é caro sim, mas vale cada centavo quando você decide ir. Se eu tivesse mais dinheiro iria 1x por mês. Atrelado a isso, os 12 sushis por 200 reais soa pouco, certo? Todas as 4x que fui lá pensei o mesmo, porém quando você chega na metade já percebe que é mais do que suficiente para sair satisfeitíssimo! E a qualidade dos peixes? O Yoshida tem só pedaços excelentes de peixe, ele sempre pega o necessário para servir bem, já ouvi histórias de que em dias de peixe ruim ele nem abre.

Para finalizar meu raciocínio…Hamatyo seria a 1a opção para levar qualquer pessoa a qualquer momento se alguém quisesse comer um bom sushi. Mas Gourmet San, por que então você nunca disse isso? Pois eu sempre considero o custo benefício que a pessoa me passa, o gosto da pessoa e também a expectativa dela. Por exemplo, o Hamatyo não é para encontros, não é para quem quer pular do rodízio para um sushi tradicional, também não é para quem quer comer em muita quantidade. O Hamatyo é o cume do sushi em São Paulo.

Mas Gourmet San, e os outros sushis e restaurante top tipo o Jun Sakamoto, Kansuke (ex-Sushi Kan) e o Shin Zushi? Todos esses lugares são excelentes, repito, excelentes, mas não representam a experiência de um Sushi-Ya na minha opinião. Motivos? Os mais diversos, vamos comentar um a um abaixo.

No Jun Sakamoto é consenso que as pessoas vão lá para interagir com o Jun e isso nem de perto acontece o que gera até um desconforto. No Shin Zushi a questão é conhecidíssima, o custo-benefício freestyle devido as inconsistências planejadas e controladas pelo restaurante, por exemplo, se você sentar no balcão do Ken vai ser diferente do Nobu, também vai encontrar diferenças se eles foram com a sua cara e também se não forem e por fim, se a oferta dos peixe for ruim no dia não abaixam o preço. E por fim  o Kansuke, do Egashira Keisuke (Ex-Shin Zushi), acho que é o mais próximo ao prazer de comer no Hamatyo, porém os sushis são mais delicados, é uma experiência mais fina, digamos assim.

Bom, acho que já falei bastante, recomendo irem ao Hamatyo, eu gosto, muito! Me contem depois como foi. Ah e por favor coloquem shoyu só na parte de cima do sushi, no peixe =).

Abs!

Tonkatsu Kare no Izakaya Matsu

Tonkatsu Kare do Izakaya Matsu

Oi gente, tudo bom?

Tive a chance de retornar ao badalado e excelente Izakaya Matsu! Vale a pena dizer logo de cara que o almoço de uma só opção por 35 reais continua valendo MUITO a pena.

Para quem não leu sobre minha primeira experiência lá, dá uma olha rapidinho aqui. Como o Izakaya Matsu não fica muito perto do meu trabalho(Av. Pedroso de Morais, 403 – Pinheiros), dificilmente consigo ir lá almoçar. Aliás, tentei ir jantar num dia desses e tinha espera, desisti, afinal estava sozinho e o izakaya é cheio de opções para dividir.

Bom…mas voltando a minha refeição da vez, não é a toa que fui almoçar justamente no dia do meu prato quente japonês favorito. O Izakaya Matsu posta todo domingo na página do Facebook deles o cardápio da semana, e em geral na sexta-feira é um prato feito com kare! As vezes é croquete, as vezes hambúrguer e em outras o lombo de porco empanado (tonkatsu).

Como de praxe, não demora quase nada para chegar:

Tonkatsu Kare do Izakaya Matsu

Sempre vem a refeição completa de uma vez, a saladinha, a missoshiro, condimentos extras e a fruta.

Como o kare com o tonkatsu pode ser um pouco pesado pra barriga, geralmente eu começo pela salada. Mas não espero muito e parto logo pra estrela, o tonkatsu kare:
Tonkatsu Kare do Izakaya Matsu

Logo de cara fiquei meio triste pois me pareceu pouco…

Porém eu estava enganado, como da outra vez que comi no Matsu, a porção é perfeita para você evitar a gulodice e sair satisfeito. Talvez pudesse ter vindo mais kare, mas estava ok, no limite.Tonkatsu Kare do Izakaya Matsu

Não vou negar que minha expectativa estava alta e talvez eu esperasse um pouquiiiinho a mais do tonkatsu kare do Matsu. Vamos lá, o lombo de porco empanado poderia ser um pouco mais alto (grosso) e o kare poderia ser um pouco mais apimentado, pelo lugar ser tradicional achei que fosse ser. Nunca vou esquecer quando fui ao Kidoairaku e o garçon me alertou que o kare era bem apimentado, rs.

Bom, apesar das minhas críticas construtivas acima, eu gostei muito desse almoço, custo benefício imbatível, qualidade incrível, bom serviço. Se eu pudesse almoçar 3x por semana no MAtsu eu iria.

E vocês já foram lá?

Abraços

Gourmet San

Omakase promocional do Aya as 2as, vale a pena? Eu fui!

Omakase Restaurante Aya jo de caviar

Oi gente, tudo bom?

Os omakases (menu degustação) que em japonês significa algo como “deixar por conta do chefe” ou “confie no chefe” estão cada vez mais caindo no gosto do paulistano, afinal é a chance de comer o melhor que o restaurante tem a oferecer, de uma maneira mais abrangente, e numa refeição só.

Pro restaurante também é bom, pois ele consegue sair do lugar comum dos pedidos de sempre e também varias e abusar mais de ingredientes diferentes.

Assim sendo, a quantidade de restaurante que possuem no cardápio 1, 2 ou até 3 tipos de omakase não é raro. Os preços obviamente são mais elevados. Acho que o omakase mais em conta que conheço é o do Shigueru, que sai por uns 130,00, depois tem o do Aze Sushi, que com o Chef`s Club sai por uns 160,00. Também tem os omakases dos restaurantes melhores ainda, como o Kinoshita e Shin Zushi, onde os omakases vão de 250 até uns 350 facilmente, mas é claro que trabalhando com a excelência em ingredientes e técnica.

O restaurante Aya, do chefe Juraci também tem seu omakase, que se não me engano custa uns 240 ou 260 reais, mas as 2as eles o oferecem pro 180,00! Eu já tinha ido conferir uma vez um bom tempo atrás e aproveitei para ir de novo.

Como sempre, vale a pena salientar que o ambiente do Aya é dos melhores. Para um casal, talvez seja o melhor de SP. O serviço do Aya também é top de linha, desde os garçons, maitre, segurança, tudo.

Quando cheguei o balcão estava 100% vazio e o Juraci não se encontrava, eu sentei na frente de um jovem oriental que morou anos no Japão (descobri no decorrer do jantar). Assim que sentei, confirmaram que era o omakasse, e eu confirmei que era o dia com preço promocional.

Sem mais churamelas, vejam tudo que me serviram (clique para ver em tamanho maior):

Pra começar, eles conseguiram me pegar pelo ponto fraco. Na minha opinião não tem melhor jeito de começar um jantar japonês do que com o tempurá de shiso com atum batido, é perfeito, e estava muito bem executado.

O tartare também estava bom, apesar de que eu achei que o foie gras em cima não combinava muito com o prato.

Sobre os sushis, o Aya manteve a mesma linha da vez passada que comi esse omakase, a grande maioria dos sushis bons, mas não excelentes. Sim, exato, sushis bem gostosos, mas não eram de chorar em cima. Com exceção da barriga de salmão chamuscada e do incrível jo de salmão com caviar, esse último é de brihar os olhos. A vieira também estava fresquíssima, geladinha, uma delícia. E para finalizar, eles serviram o signature sushi deles, o haddock empanado com mel trufado, simplesmente delicioso, de sonhar mesmo. Ah, e obrigado pelo uni cortesia =) Eles me serviram quando perguntei se não ia vir no omakase.

Como prato final, antes da sobremesa, serviram um surpreendente e delicioso lagostim a provençal, juro estava demais, comeria todos os dias, foi preparado com esmero!

E para finalizar, a sobremesa estava estupenda e perfeitamente executada. Vou ser sincero, eu gosto de banana, mas não sou fã dela como sobremesa, mas estava divina. Empanada em pedacinhos crocantes, sequinhos e com o sorvete. Raspei o prato! No fim, como tomei só bancha (cortesia) e minha conta saiu redondinha 200 reais.

Agora a consideração final. Vale a pena? Sim, vale! por 180,00 é um omakase completíssimo! Mas agora tem um ponto importante, se esse mesmo omakase for servido por 240/260 reais, aí não vale…

Então o que eu acho, minha opinião tá, que o Aya faz um omakase mais barato sim, que vale a pena, mas que também ele dá uma “acertada” nos ingredientes para adequação do preço.

Recomendo irem, vale a pena sim, principalmente como em casal =)

Abraços

Gourmet San

Naga, o primo chique do Nagayama

Eae pessoal, tudo bom?

Mais um domingo a noite, é hora de mais uma review aqui no Gourmet San!

Depois a excelente review feita pelo colaborador Will do Nagayama, resolvemos ir ao Naga, que fica logo ao lado.

ALIÁS, sim é um “aliás” maiúsculo, nessa esquina da Bandeira Paulista tem 3 Nagayamas. 2 no térreo (Nagayama e Nagayama Café, que de café não tem nada) e o Naga.

O Naga é só pra quem sabe, e tenho dito! Apesar de vocês até poderem ter ouvido do Naga, acho difícil ir lá por conta própria ou iniciativa própria, parece mais um encontra secreto da seita dos sushizeiros, rs. Piadas a parte, foi assim que me senti ao ir ao Naga, e conto mais a seguir.

Chegamos e o restaurante ainda estava fechado, mas quando os funcionários que estão do lado de fora percebem que você vai no restaurante eles te convidam a esperar dentro.

Do lado de dentro você espera numa pequena salinha escura onde cabem no máximo 15 pessoas. Tem um bar, um barman e a hostess, não mais que isso. Uma televisão ligada no Sportv passa os resultados do dia, do futebol é claro, rs. O barman oferece uma bebida mas negamos. Não é o que o casal mais granfino do outro lado da salinha faz, pedem o cardápio e algum drink.

Como chegamos perto do horário de abertura (19h30? ou 19h?) logo a hostess nos convida antes para subir. Subimos e o restaurante é maior do que eu imaginava, tem um número considerável de mesas. O ambiente é bem escuro, intimista, perfeito para um encontra a 2. As janelas tem cortinas que são abertas a noite apenas. Vendo daquela perspectiva dá pra entender porque do lado de fora não é possível entender que é um restaurante ali em cima.

Sentamos direto no balcão, vazio e muito bonito.

Depois de 3 minutos já estava cheio. Do nosso lado, um casal de 50 e poucos anos. Por falar nisso,  público do Naga é bem único e padrão. Público adulto (50-60 anos) com muito dinheiro e…pouco conhecimento sobre comida japonesa ou sushi. Aliás, é possível fazer um paralelo bem próximo com o público dos sushibares moderninhos da cidade Geiko San e Nakka, para citar uns exemplos. Esses restaurantes, recém nascidos, possuem um publico igualzinho ao da Naga, porém 20-30 anos mais novo.  E eu digo tudo isso com conhecimento de causa.

Mas vamos ver umas fotos do que comemos? depois continuo minha dissertação sobre a experiência:

Antes de mais nada, já aviso, não foi nada barato, meu foco inicial era deixar no máximo 170-200 reais lá e saiu 50% a mais que isso =(.

Aí vocês devem se perguntar, mas por que? Você não controlou o pedido? Não… e vocês vão entender abaixo.

Nesse tipo de restaurante em geral o menu não quer dizer muita coisa, a não ser que você queira ver os combinados de salmão e atum que eles possuem. Restaurantes a la carte de alto nível possuem ingredientes bons e excelentes que sempre alternam, ou seja, se você quer comer bem, pergunte ou deixe por conta do sushiman, nós fizemos um mix.

Sentamos e pedimos 10 niguiri sushi pra cada um, os melhores do dia e que depois iríamos ver algum enrolado. Afinal o próprio Will me disse que eles tinham enrolados de vieira que pareciam promissores.

Começamos e logo nos serviram uma entradinha bem boa de polvo, logo depois começaram os sushis. Não vou negar, eles começaram beeeem devagar, sushis bem simples, de atum-akami (parte das costas e mais vermelha), robalo, buri, serra, mas nenhum peixe gordo. Depois melhorou. Um pouco.

Nos serviram uma ótima sequência de um farto camarão, uma centolla gigante (kingcrab) e uma lula mais ou menos (mal cortada). Depois nos serviram um trio muito bom: ikura, uni e spicy king crab. O spicy kingcrab realmente é uma delícia, já tinha provado no Geiko San. Porém, os gunkan sushi estavam mal montados, faltou habilidade ali pros sushimans, só ver na foto.

Enquanto isso, no meio do jantar, o chefe responsável pelo Naga, e que coordena todos sushiman ali nos ofereceu uma ostra com uni temperada, simplesmente deliciosa. Adoro quando chefes nos oferecem pratos extra que eles sabem que não são todos clientes que gostam, essa é a alma do sushibar. Ele também nos serviu ovas de tainha (karsumi).

Os sushiman continuaram nos servindo sushis, 10, 11, 12, 13, 14, 15! Finalizaram com um delicioso e fartíssimo sushi de atum com foie gras e uma gordíssima enguia (unagui, sim ela voltou a cidade).

Mas pera, você repararam algo acima? Eu tinha pedido claramente 10 sushis, mas eles foram servindo mais, mais, mais, mais. E depois veio a conta, claro, todos esses sushis E….E…a entradinha, a ostra e as ovas de tainha (karasumi). Somando mais uns 120 reais fácil pra conta. Sabe o que é isso? FALTA DE RESPEITO, mas infelizmente, eu que estava no ambiente dos ricaços, onde a conta nunca é vista, revista ou analisada com afinco, você apenas dá seu cartão e pega o carro no valet (o que eu não faço).

Os restaurante japoneses realmente possuem incongruências no serviço, alguns cobram chá-verde, outros não, alguns cobram cortesia, outros não. Na minha humilde, mas experiente opinião, não se deve cobrar cortesias, JAMAIS. Claro que não estou falando de oferecer cortesias, mas sim servir diretamente, eu ia fazer o que? Negar? Perguntar se iam me cobrar ou não? Paro por aqui, mas confesso que me tirou do sério um pouco.

E agora o veredicto final. Gourmet San, você recomendo o Naga? Sim! Recomendo, para ocasiões especiais, comemorações a 2 e claro, que você não se importe em gastar um pouco a mais. E se for sentar no balcão, atenção com as “cortesias”

Abraços

Gourmet San