Sushi Tour SP episódio 3: Hutô

Oi pessoal, hoje vamos dar prosseguimento ao Sushi Tour em São Paulo que fiz com alguns clientes do Gourmet San!

O 3o da lista foi o fantástico Hutô! Por quê fantástico? Vocês vão descobrir abaixo.

Antes de mais nada o Hutô é o único restaurante japonês em São Paulo que serve (1) sushis contemporâneos (modernos), (2) com foco em omakase (menu degustação) e (3) com um ambiente diferenciado. Essas 3 características juntas só acontecem no Hutô e se alguém quiser bater um papo sobre isso estou aberto, será uma conversa produtiva sobre pontos de vista.

Um ponto do Hutô que é preciso entender é que o público em geral está ali em ocasiões especiais: encontros, reuniões de datas comemorativas, aniversários etc etc. Ou seja, o próprio ambiente dele proporciona isso, então eu julgo uma informação importante para você não chegar lá de bermuda de surfe e camiseta furada, não vai pegar bem.

O cardápio é maravilhoso, com pratos que você só vê ali, ou seja, restaurante super original do começo ao fim. Porém  minha recomendação é: peça uma entrada para dividir e depois emende um menu degustação! Eles possuem 3 opções de menu degustação se não estou enganado, o mais básico já é suficiente para comer muitíssimo bem, consiste em 3-5 pratos + 8 sushis com os melhores do dia, o valor fica perto dos 200,00 eu acho, mas é uma refeição que vale!

C0mo estava esperando eles chegaram, pedi uma porção de edamame:

Mas logo que eles chegaram pedimos uma entrada, desnecessária em termos de comida na barriga, mas absolutamente deliciosa! Se trata de fatias de atum maçaricadas com ovo de codorna tempurá trufado e com ovas por cima, incrível!Logo depois iniciamos nosso menu degustação com um clássico do Huto e feito com perfeição. A versão maior do prato acima, mas sem o atum. Um meio ovo de codorna empanado, com azeite trufado e ovas de salmão. Juro, é maravilhoso!

 

Depois um prato lindo de ser ver e de comer, 3 fatias de atum selados com perfeição, acompanhando 2 molhos distintos.

 

Outro prato novo! Lula temperada com gema de ovo de codorna, prato surpreendente, gostei também

 

Um dupla de otras gratinadas, também com perfeição.

E como de praxe, pra finalizar antes dos sushis, um peixe grelhado, excelente.Agora vamos a o que interessa, os maravilhosos sushis que o Hutô serve.

Não vou nem comentar, apenas babem na sequência!

Pra mim o ponto alto foi o penúltimo sushi, que se trata de lagostim chamuscado com maneira trufada, absolutamente sensacional, coisa maluca mesmo. Eles fazem o sushi colocam uma colherzinha da manteiga temperada em cima e depois chamuscam, derretendo a manteiga e a fundindo ao lagostim. HUMMMMM… sushi campeão.

O Hutô é um restaurante único em São Paulo e eu recomendo muitíssimo a visita, não tem erro.

abraços

Gourmet Santour

Sushi Tour SP episódio 2: Nakka (Itaim)

Eae pessoal, hoje é o segundo capítulo do Sushi Tour que fiz em São Paulo.

Uns meses atrás eu fui contratado por um grupo de investidores/restauranteurs do Rio de Janeiro para guiá-los num tour em São Paulo pelos melhores restaurantes dentro de um perfil específico que eles buscavam: modernos e contemporâneos. Visitamos 5 restaurantes em 4 dias.

O segundo restaurante do tour foi o moderno/contemporâneo/pop/lotado Nakka. Já escrevi bastante sobre o Nakka em outras reviews, então não preciso me estender muito, certo? Mas resumindo, o Nakka deve ser o restaurante mais badalado do cenário paulistano. Com duas casas (Itaim e Jardins) o restaurante foco em ingredientes de alta qualidade e um cardápio com ingrediente de ponta.

Fomos no almoço e foi preciso chegar cedo, pois o balcão é disputadíssimo, mesmo pelos clientes que não conhecem muito de comida japonesa (lá tem bastante). Agora se preparem pois foi uma verdadeira feast.

Primeiro é preciso ressaltar que sem dúvida o balcão de sushi do Nakka é dos mais bonitos de São Paulo, a maneira que ele é montado, com o vidro, e ficando na altura dos clientes, permite que assistamos toda movimentação na montagem dos pratos.

Seguindo, começamos com uma das minhas principais recomendações se você for ao Nakka: o sashimi de barriga de salmão.

Eles são deliciosos, suculentos, bem temperados e bem servido. É uma maneira excelente de começar a refeição.

A seguir, um gosto pessoal, primeiro, eu adoro um tempurá bem feito, segundo, eu adoro shisô, e terceira, amo atum batido. Imagina só agora um shisoten de spicy tuna:

É simplesmente delicioso, fenomenal, eu comeria esse prato todos os dias da minha vida, hahaha. Pois é, se posso definir pra vocês, ele é crocante, salgadinho e o sabor de todos ingredientes combinam bem, sobretudo a textura do tempurá com o atum batido.

Depois, um clássico do Nakka também, o uraebitem especial, que nada mais é do que um enrolado de camarão empanado com salmão maçaricado em volta:Eu gosto bastante, ele é correto, não incrível como os pratos anteriores, porém vale pra dividir com alguém.

Agora começa a loucura, a sequência madness de nigiris do Nakka. Claro, a sequência que nós pedimos, pois o Nakka estrategicamente não possui nenhuma sequência nem combinados, assim os clientes pedem tudo nos dedos (provavelmente gastando muito mais).

O primeiro foi o estrondoso atum com foie gras.Ele é farto, já adianto, o sabor explode na boca, é até um pouco exagerado, poderia ser um pouco mais comedido, porém o restaurante serve o que o público quer e pronto. O público do Nakka paga por esses sushis, fim de assunto.

A seguir a dupla de sushis trufados vencedoras do Nakka, a lula (ika) e a vieira (hotate):Como vocês podem ver, seguem a linha do restaurante de sushis grandes e bem montados. Ambos sushis são maravilhosos e eu comeria uns 10. O única ponto negativo é que o tempero de cada um deles é exatamente igual e isso logisticamente pro restaurante até pode funcionar, porém os ingredientes pedem trabalhos distintos.

Seguindo, outro sushi que você DEVE pedir no Nakka, a enguia (unagui):Bom, preciso dizer que foi a primeira vez que eles serviram com essa mal cortada fatia de abacate por cima. Pra mim não teve nada a ver…Claro que nos EUA é comum servirem uramakis de enguia com avocado, mas não em niguiris, acho que foi um equivoco. De qualquer maneira, o sushi de enguia do Nakka é magnífico, sobretudo por que você come um pedaço significativo de enguia, é um dos maiores, se não o maior da cidade.

Bom, querem uma pausa? respirar fundo? Espero que tenham comido antes de ler esse post, hehehehe.

Seguindo firmes, uma duplinha clássica, tradicional e que tenho certeza que o público do restaurante não pede: ikura e uni.Ambos estavam corretos, nada a comentar.

Assim com os sushis a seguir, o jow de ovo de codorna trufado e a dupla de carapau.Só vale a pena citar que foi no Nakka que comi pela primeira vez esse jow e inclusive é onde ele é feito com mais esmeiro.

Vocês devem estar sentindo falta de salmão, certo? O Nakka possui um excelente sushi de barriga de salmão chamuscado. Vejam abaixo:
Infelizmente ultimamente eles tem temperado em excesso esse sushi, ficando muito salgado, eles precisam dosar um pouco mais na mão…

Seguindo onde o Nakka precisa trabalhar um pouco, segue abaixo os nigiris de Kobe beefNão sei por que eu insisto nesse sushi, talvez só pra pagar pra ver mesmo, pois o sushi de Kobe beef do Nakka parece mais um hamburguinho e falta sabor e textura, de todos pedidos, esse é o único No-Go que digo a vocês.

Depois de respirar e conversar muito, apenas para compararmos com o Kinoshita, pedimos um sashimi de Kobe beef:

Estava correto, nada demais também, eu tenho a impressão que o restaurante possui o ingrediente para satisfazer ao público que frequenta, sem desenvolver muito o prato.

O que é diferente do sashimi de salmão trufado, que foi como encerramos o almoço:

É um prato farto, esses pedaços de salmão são generosos e eles são muito bem maçaricados e temperados, recomendo que peçam também.

Bom, depois de comer tanto, saí rolando do restaurante e muitíssimo feliz. Mas mais importante que tudo isso, foi legal ver os pontos fortes e fracos do Nakka e ajuda meus clientes a entender o que é legal replicar e o que é bom evitar.

Abraços e até a próxima!

Gourmet San

Sushi Tour SP episódio 1: Kinoshita

Estou devendo a vocês…

Nesses últimos meses algumas outras atribuições do dia-a-dia tem me prevenido de escrever aqui, sobretudo as minhas tardes de domingo, que é quando geralmente sento e escrevo. Mas vou tentar retomar após as inúmeras mensagens que recebi.

Uns meses atrás eu fui contratado por um grupo de investidores/restauranteurs do Rio de Janeiro para guiá-los num tour em São Paulo pelos melhores restaurantes dentro de um perfil específico que eles buscavam: modernos e contemporâneos. Ou seja, os tradicionalistas que me perdoem (eu mesmo sou um), mas neste e nos episódios seguintes não encontrarão Shin Zushi nem Hamatyo nem Kansuke.

Nossa primeira parada foi devido ao nome e a fama: Kinoshita.

Era 4a a noite, liguei mais cedo pra saber se havia necessidade de reserva e disseram que não. Pois bem, os tempos áureos do Kinoshita passaram, tem de ficar de olho agora que o Murakami também saiu de lá. Vamos ver o que se sucede.

Cheguei poucos minutos mais cedo que o pessoal e sentei no balcão quente (também tem o balcão frio).

Foi um acerto pois antes de mais nada a cozinha do Kinoshita é das melhores, digo a aparelhagem, não faz barulho, não tem cheira de fritura, nada, os caras tem o creme de la creme lá.

Não tínhamos nem dúvida pedimos o omakase! Vale a pena dizer que hoje não há mais 3 opções mas sim apenas 1. Muito mais sensato em termos de logística pra cozinha.

Vale a pena dizer que o Kinoshita não mudou nada das ultimas 2x que eu já tinha ido, ou seja, maitre de primeira linha, especialista em sake, provavelmente todos falando japonês etc.

Vamos ver os pratos servidos?

Começamos com um shot de ostra:

Sendo bem honesto achei o prato fraco. O Aze Sushi possui um prato similar que se chama ovo perfeito que é muito melhor, mais equilibrado, mais Umamístico, hahaha.

A seguir, as vieiras vivas de Picinguaba/Ubatuba.

Prato lindo de ser ver e comer, leve, refrescante, mas vieiras muitos pequenas, poderiam ser maiorzinhas.

Agora, um prato clássico do Kinoshita, que eles servem desde o início, um carpaccio de salmão com flocos de tempurá e ovas.
Como sempre digo, é nos pratos simples que se vê a grandiosidade de um lugar e esse talvez seja um ótima exemplo. Essa combinação de salmão, flocos de tempurá e ovas é replicada geralmente em bateras em diversos restaurantes, mas nunca se saem também bem quanto esse. A Execução do Kinoshita é ótima e eu comeria uma tigela inteira.

A seguir um dos pratos mais fracos da noite, polvo e camarão.Sim, o prato foi apenas isso. O molhinho verde ali se me lembro bem era azeite com algum tempero, nada mais, nem faz sentido estar num omakase.

Continuando, um fan-favorite atual do cenário paulistano: atum com foie-gras.Apesar de ter sido uma porção mediana, o Kinoshita acerta em cheio na combinação do atum com o foie-gras. É muito comum em muitos restaurantes moderninhos de hoje tentar se ganhar o cliente com pedaços gigantescos de foie, o que é bom, mas muda um pouco o propósito.

Agora, juro, outro prato fraco do Omakase, os sashimis. Essa foto engana um pouco, os sashimis era minúsculos e não tinham absolutamente nada de especial. Nem o salmão era de brilhar os olhos. As fatias precisam ser mais generosas, cortes quadrados e grossos (estilo japonês).

Agora os nigiris, aqui o Kinoshita não erra, os sushis possuem um equilíbrio perfeito e tamanho ótimo.
O arroz é excepcional e o shoyu da casa acompanha bem todos sushis. Mas no mundo paulistano dos sushis o Kinoshita fica pra trás claramente.

Agora sim, começamos a falar: Kobe beef!Nós vimos esse Kobe beef ser feito num forninho especial em nossa frente, que aquece igualmente por cima e por baixo. Vimos o cubo de Kobe ficar pronto aos poucos e ser fatiado também na nossa frente, se mostrando perfeitamente ao ponto.

Estava perfeito, não tem o que dizer, nota 10!

Aproveitando o papo com o pessoal do balcão quente (que vou contar mais em breve), nos serviram também fatias de Kobe cru mas marinados se não me engano. Estavam bons também, mas não melhores que o de cima. Eu particularmente gostei também pois tinha um toque de gengibre muito gostoso.
Agora um dos reis da noite: um bowl com gohan, 2 tempuras de camarão e uma gema ao ponto perfeito de cremosidadeEsse prato e uma perfeição, comeria todos os dias, TODOS OS DIAS. O camarão crocante e saboroso, principalmente com o tarê por cima e o gohan. Antes de mais nada desmanchei a gema e misturei com tudo. Essa gema sai de um ovo que foi cozido lentamente no sous-vide por 20h a 43 graus celsius. A chefe até nos contou que chegou a errar uma leve inteira de ovos. Ela também contou que os ovos do Kinoshita chegam todos carimbados.

E pra finalizar uma sobremesa clássica, se não me engano, sorvete de canela e mochi.
Essa sobremesa não brilhou aos olhos também, o mochi não estava legal e foi difícil de comer.

Antes de ir para os finalmente da visita, vale lembra que o Kinoshita possui uma sala privativa para eventos e ocasiões especiais onde só é servido omakase, então se você possui um jatinho dá pra considerar (brincadeira, não, é serio, hahaha)

Bom, vamos lá. Por que o Kinoshita foi ótima pra visita do pessoal do Rio de Janeiro? Para eles verem o que é um restaurante que foco num público de alto padrão, seja em preço, serviço, ambiente, bairro, público etc. O Kinoshita preenche todas essas funções com esmero, apenas ficou pra trás com a concorrência da cidade nos últimos anos.

Sentar no balcão quente foi uma experiência excelente, repito, excelente. Os 3 cozinheiros gaijins (ocidentais) são ótimos de papo e puderam passar inúmero insights para o restaurante que o investidor busca abrir, inclusive em questões de networking foi fundamental, já que estágios entre restaurantes é normal.

Fiquem atentos para o próximo episódio desse tour que aconteceu em 3 dias!

Sarumon: só salmão, funciona? SIM!

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

Oi pessoal, tudo bem?

Estive afastado das postagens aqui no blog, porém não parei de comer em restaurantes japoneses. E nos últimos tempos consegui visitar restaurantes novos e diferentes da minha lista corriqueira.

Voltando a ativa, visitei com um amigo de infância um restaurante que fica ali no Itaim e eu nunca tinha ouvido falar, o Sarumon, R. Pedroso Alvarenga, 365 – Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04531-010 Telefone: (11) 4562-4988

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados Saruman

Hahaha, não…. não se trata de um personagem do Senhor dos Anéis, mas sim de um restaurante que foca em apenas 1 tipo de peixe, o salmão!

Odiado pelos foodie-nazis pop do mundo cibernético, o salmão é um peixe belíssimo, versátil e delicioso, e que carrega o fardo de ter se popularizado em demasiado. Mas eu mantenho os pés no chão, arigatô Shake!

Pela primeira vez me deparei com um restaurante que abraçou a idéia de servir só salmão e já digo desde já, funciona perfeitamente! Os clientes já vão com expectativa alinhada e não tem chororô. E posso dizer que vivi isso empiricamente, o almoço numa quarta-feira estava cheio de pessoas do mundo financeiro e dos escritórios de advocacia do Itaim.

Pois bem, quando meu amigo me chamou pra almoçar no Sarumon, ele se preocupou em me alertar: “mas só tem salmão, ok??”. Isso acontece com frequência, as pessoas se preocupam no que o Gourmet San vai achar, mas eu sempre tento acalmá-los, eu entendo que existe restaurante pra todos os gostos e bolsos.

Pois bem, voltando ao Sarumon, é do mesmo dono do It Sushi, e isso se percebe facilmente pelos pratos servidos, como o spicy rock-shrimp:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão rock shrimp

E no formato dos enrolados e sushis servidos (na bandeja pelos garçons). Por falar nos sushis, todos são muito bem montadinhos e obviamente, todos de salmão:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

A variedade é bem satisfatória, assim como o sabor:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

O restaurante não tenta se reinventar, serve temakis (de salmão, rs) e clássicos como um carpaccio bem simples (de salmão):

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão carpaccio

O único prato que precisa ser repensado é esse abaixo, pasteizinhos. Não faz sentido nenhum, parece uma porçãozinha de pastel de boteco, será que é a idéia mesmo?

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão pastel

No final das contas, o Sarumon entrega o que promete e o rodízio por 60 reais está bem justo para a região e para o serviço rápido!

E vocês já foram ao Sarumon? Conhecem outros restaurantes que se dedicam exclusivamente em salmão?

Me contem mais aí embaixo nos comentários.

Abraços!

Gourmet San

Ryo, de Edson Yamashita, o único kaiseki do Brasil!

Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Oi gente, tudo bem?

Faz mais de 1 mês que não escrevo =(

Sim, o final de ano é sempre corrido, atribulado e cheio de coisas, mas vocês podem sempre acompanhar pelo Instagram que continuo postando e visando lugares (não sempre novos, rs).

Pois bem, mas hoje a review é de um lugar novinho, que não tem nem 6 meses de vida, é o Ryo, restaurando novo do Edson Yamashita (Ex-Aze Sushi, Shin Zushi e Sushi Kan da matriz no Japão), basicamente um cara que entende muito da culinária japonesa! O Ryo fica na Rua Pedroso Alvarenga, 665 Itaim Bibi, telefone: 11 3881-8110 / 11-99221-2525 / contato@ryogastronomia.com.br

Já passei todas informações de contato aí em cima pois é bom vocês saberem que só atendem por reserva!

Depois de mais 1-2 anos que saiu do comando do Aze Sushi o Edson Yamashita percorreu o Japão e buscou lugares para seu novo empreendimento em São Paulo, demorou, mas não falhou, fiquei encantado com o Ryo, do começo ao fim.

Vamos lá.

Pera, vamos lá não…antes de falar do restaurante em si, é preciso que vocês saibam que ele funciona no sistema “Kaiseki (会席), que é um conceito que contempla uma forma de arte da culinária japonesa que equilibra sabor, textura, aparência e cores dos alimentos por meio de uma sequência de pratos tradicionais, artisticamente formatados, semelhante a um “menu degustação”, onde são usados ingredientes sazonais, únicos e frescos, incluindo também ingredientes locais.”

Entendeu? Bom, eu resumo, é uma experiência gastronômica que funciona similar ao menu degustação, porém os pratos servidos, além de harmonizarem entre si (sempre culminando no umami, o 5o sabor), também tem relação direta com a sazonalidade dos ingredientes da região. Isso faz com que o cardápio mude sempre, segundo o próprio Edson a idéia é mudar toda semana! Baita desafio!

Assim sendo, aproveitei que a casa estava com 30% de desconto e fui provar, como de costume quando quero comer com calma, abri a casa, cheguei 18h, ainda estavam preparando tudo e foi ótimo pra observar o restaurante e bater um papo com o Edson.

O ambiente é lindo, aliás, deem uma olhada no balcão:

Ryo Culinária Japonesa balcão

Ryo Culinária Japonesa balcão

E também no menu do dia:Menu Kaiseki Ryo Culinária Japonesa balcão

Não demorou muito e começaram a me servir os pratos! Mas antes dos pratos, uma surpresa, junto do bancha, serviram uma água com um ph especial que traz uma purificação maior do corpo, super interessante, e pra mim restaurante desse gabarito tem de impressionar do começo ao fim mesmo:

Ryo Culinária Japonesa balcão

E vamos partir logo para os pratos que foi um show de imagens, sabores e texturas!

Abaixo a sopa de marisco, o polvo e o atum!Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Os 3 totalmente diferentes, com características únicas, uma delícia, o polvo da família Shin Zushi não tem igual, realmente de uma maciez incrível.
Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Depois me serviram um caldo de legumes delicioso, aliás, é o único jeito de eu comer nabo, rs. Vejam o video, muito mal gravado por mim mesmo. Pois é, eu gravei com o celular de pé ao invés de deitado, desculpem, mas deu pra captar a idéia:

Depois foi servido o prato de sashimis, linda apresentação, acho que a mais bela que já vi na vida (ah, agora acertei no video):

Nunca tinha presenciado nada assim, uma apresentação que eu mesmo tive de interagir, demais! Os peixes estavam super saborosos e fresquinhos, nada menos do que o esperado.

Seguindo me serviram o ponto único ponto mais fraco da refeição, o pato. Apesar da apresentação novamente linda e do ótimo purê de brócolis e vinagrete de alcachofra, realmente o pato não estava tão macio.
Screen Shot 2017-01-22 at 11.23.33 PMDepois dos pratos, começou a sequência de sushis! Quem conhece o Edson sabe que a mão dele devia coçar ali atrás do balcão do Aze Sushi, só comandando e sem botar a mão na massa, literalmente! Assim sendo dá pra ver que no Ryo ele fica mais do que feliz em servir sushis novamente, um a um.

São servidos 6 sushis na refeição, segue abaixo as delícias:

Toro do dia:
sushi de toro kaiseki Ryo Culinária Japonesa
O mais bonito do dia, xaréu:
sushi de xareu kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de serra:

sushi de serra kaiseki Ryo Culinária JaponesaSushi de engage (músculo da garoupa):
sushi de engawa kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de vieira:sushi de vieira kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de Uni:
uni  kaiseki Ryo Culinária JaponesaE como último prato, algo inédito pra mim, tomate momotaro recheado de peixe:
Tomate momotaro sobremesa moti e sorbet de cereja kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Esse tomate é algo único, muito diferente mesmo, a textura, sabor e o molhinho, foi bem interessante.

E como sobremesa, morango coberto por chocolate e moti e sorbet de cereja!sobremesa moti e sorbet de cereja kaiseki Ryo Culinária Japonesa

O sorbet é feito em casa e o moti com chocolate e morango foi feito na minha frente, muito muito muito bom, gostoso e confesso que foi minha 1a vez comendo moti, me surpreendeu, gostei bastante!

Agora pra completar, vamos lá, vale a pena? Sim! Se não me engano o valor fechado é entre 180 e 200 e ainda há vouchers de 30%, aí vale muito a pena, se não, continua valendo mesmo sim. Antes de mais nada é o único restaurante no Brasil inteiro que trabalha abertamente com o sistema kaiseki, se vocês conhecem outro me avisem. E não me vem com Kinoshita, pois ele não é.

Recomendo pra ocasiões especiais e pra apreciadores de profusão de sabores, afinal a refeição segue uma cadência pra chegar ao umami e isso faz a experiência ser única.

Eae, o que achar? Curtiram? Já foram?

Abraços

Gourmet San

Kawa Sushi Jardins – a indicação que faltava na minha lista

Oi gente, tudo bom?

A pergunta que eu mais respondo no meu dia-a-dia são indicações de rodízios para meus amigos e conhecidos. Apesar de eu preferir restaurantes tradicionais a la carte, não há como negar, a paixão do brasileiro (pelo menos o paulistano) é o rodízio.

Mas o paulistano não está mais satisfeito com os rodízios baratos, isso tanto é uma verdade que o número de restaurante que oferecem o all-you-can-eat está cada vez menor. Hoje é difícil você ouvir alguém falar que vai com frequência num rodízio de 40-50 reais. As pessoas que gostam de rodízio fizeram suas escolhas nos últimos anos e se apegaram a elas. Os escolhidos da cidade são os famosos Aoyama e Mori Ohta, o 2o escalão é bem variado então fica difícil citar, apesar de eu ter minhas preferências.

Mas voltando ao assunto do dia, descobri um novo restaurante com rodízio e que é EXCELENTE, o Kawa! Mas atenção, o Kawa tem 2 restaurantes, o do Brooklyn (região da Berrini) e o do Jardins, e eles tem propostas totalmente diferentes. O Kawa da Berrini tem como foco 100% o público do almoço que busca um sushi rápido, nada mais, então as vezes o resultado é um pouco insatisfatório. Já o Kawa dos Jardins o papo é outro e é desse que vou falar hoje.

O Kawa Jardins fica localizado na Al. Lorena, 300 – Jardins, tel: (11) 3057-1582, fica a dica, fica pra lá da 9 de Julho, pro lado mais Paraíso. Para estacionar é bem tranquilo, eles tem valet, mas eu parei o carro por conta própria na rua pois a região, já mais distante do burburinho incessante da Oscar Freire, facilita a tarefa.

Quando entrei no restaurante percebi que alo o papo era outro, ambiente super bonito e amplo, bem alinhado com o nível do Aoyama e o Mori Ohta. O restaurante possui 2 opções de rodízio com o mesmo preço (uns 70 e poucos reais), uma opção “normal” e outra “gourmet” que oferece sushis mais diferentes. Ah o foco do Kawa é servir na mesa, então não há balcão.

As opções são bem variadas e consegui provar quase tudo! Vejam abaixo:

Tudo coisa boa e muito bem feita! Realmente fiquei impressionado como eu nunca tinha ido lá antes. Na verdade eu sei por que eu nunca fui, pois tive uma impressão não tão boa do Kawa da Berrini.

Logo de início gostei muito de ver 4 tipos de carpaccio para serem servidos: salmão, atum, polvo e peixe branco. E como sempre digo que deve ser, cada um deles com um tempero e molho diferente. Claro que não deve ser toda noite que eles conseguem ter essa variedade, mas gostei muito do que vi e comi.

Dificilmente como algo inédito num rodízio, mas dessa vez comi a famosa lula com recheio de shimeji que só vejo em restaurante a la carte. Adorei a idéia de oferecer no rodízio, claro que não estava primorosa, mas me surpreendeu.

No rodízio do Kawa você também encontra ingredientes que nenhum outro oferece, como vieira, peixes defumados e sushi com ovo de codorna. Os sushis são de um tamanho médio pra pequeno pois segundo eles mesmo o foco é que os clientes comam variedade. Outro fator que me agradou muito foi que tudo estava muito bem montado e servido, vejam os carpaccios, por exemplo, ou o prato com os niguiris.

Para finalizar, o Kawa não tem combinados ou sushis pré-feitos, como é de praxe em rodízios, eles fazem tudo na HORA! Eles só precisam ficar bem atentos nessa diferença grande de padrão entre o Kawa Berrini e o do Jardins, eu mesmo vejo isso como um enorme desafio administrativo e de cunho mídia, afinal, como lidar?

O Okawa já se tornou um dos meus rodízios favoritos, e eu o colocaria na minha lista de melhores rodízios. Aliás, assim que eu montar o meu ranking de rodízios, ele estará nas cabeças.

E vocês já foram lá?

Abraços

Gourmet San

Visitamos Geiko San para conhecer as novidades!

Eae gente, tudo bom?

Um dos restaurantes mais badalados do momento no cenário sushi contemporâneo (leia-se moderninho) em São Paulo é o Geiko San. Já tive a oportunidade de escrever sobre eles algumas vezes. E apesar de algumas pessoas insistirem (até os proprietários) que ele tem fusão com a cozinha italiana, eu não vejo isso de forma alguma, tirando uma entrada chamada paninno (que é excelente por sinal).

O Tiel, maitre da casa me mandou um email me convidando para conhecer as novidades da casa que eles estão lançando para 2016. Obviamente aceitei. Vale a pena lembrar que mesmo convidado, meu interesse continua que vocês tenham uma idéia do melhor que o restaurante serve e que o restaurante receba críticas construtivas. Exato, esse blog não escreve escárnios, perjúrios e nada escatológico. Aliás, se qualquer restaurante me servir melhor do que serve qualquer outro cliente, que isso fique óbvio e que obviamente será ruim para o próprio restaurante, que não mostra seu maior potencial para fidelizar clientes. Mas no caso do Geiko San já posso adiantar que eles atendem todos os clientes igualmente, eles são fera.

Bom, vamos a resenha! Início de ano, 1a-2a semana de janeiro e fui ao restaurante numa 3a feira se não me engano, para meu espanto o restaurante estava LOTADO. Cheguei 30 minutos depois da abertura e quase não tinha espaço no balcão e quando saí tinha fila.

Meu plano era sentar no balcão do chefe Fabrizio, sushi chefe e sócio do restaurante, além de ser um dos sushimen mais simpáticos da cidade é super habilidoso. Mas como o posto no sushibar já estava tomado, sentamos logo ao lado, em frente ao Goo Hasegawa, imediato do Fabrizio.

A idéia era que conhecer o que a casa tinha de novo e não foi difícil, logo que abrimos o cardápio (um dos mais bonitos e completos da cidade) vimos um destaque para as novidades. O foco claramente é excelente combinação do tempurá de shiso com cobertura de salmão, atum ou vieira batidinha. Não perdi tempo, a de atum. Emendei com um carpaccio de barriga de salmão trufado e aí aconteceu o que sempre acontece no Geiko, você deixa nas mãos deles (os sushimen) e só aproveita.

Vejam abaixo tudo que comemos:

Tudo espetacular não é mesmo?

Um jantar desse aí de cima pra duas pessoas sai por volta de 200 reais a cabeça, é barato? Não, mas dois pontos importantes. Primeiro, comemos demais, poderíamos ter comido um pouco menos. Segundo ponto, o Geiko San é para ocasiões especiais, isso pelo menos para mim. Mas como em todos restaurantes, principalmente os resididos nos Jardins, há os habitués.

Mas falando da comida, vamos falar dos destaques? TODOS! Brincadeira…mas é SÉRIO! O Geiko San é um restaurante super equilibrado, dificilmente você vai comer pratos os sushis de níveis muito diferentes, tudo é nivelado pra cima.

As minhas recomendações para um jantar imperdível no Geiko San são:

Para começar o carpaccio de barriga de salmão trufado e com raspas de limão. Delicioso do começo ao fim, o destaque fica pra quantidade. É uma entrada generosa, bem diferente de alguns restaurantes que miguelam fatias e servem 6-7 fatias só.

Como segunda entrada, peça o cripy rice. Consiste num baterá de salmão onde o arroz é fritinho, é algo único no mercado e eu adoro, faria em casa sem dúvida.

De sushis, nem pense, vá de vieira trufada, uma das melhores da cidade sem dúvida, grande, fresca, temperada na medida certa.Depois vá de gunkan de atum com foie gras, tudo perfeito, o destaque é obviamente para o foie gras que o pessoal do Geiko San prepara muito bem, melhor do que outros restaurantes, além de que, claro, o pedaço é monumental. Como também o sushi de camarão que eles servem no nori com uma maionese apimentada. Peçam também o clássico de ovo de codorna pochet.

De resto, para complementar, siga as dicas do pessoal da casa, eles sabem o que está bom no dia ou se delicie no incrível cardápio de variedades.

Para finalizar o jantar o Fabrizio preparou um INÉDITO tempurá de vieira com ikura (ovas de salmão). Espetacular! Peçam também!

Abraços e até a próxima

Gourmet San

Especial Guia Michelin: Kosushi, por quê?

Tudo bem pessoal?

Hoje seguindo a série de visitas aos restaurantes aqui de São Paulo que possuem 1 estrela Michelin, vamos hoje falar sobre a minha visita ao Kosushi,

Primeiramente, vou comentar alguns pontos sobre o local em si, o restaurante tem um balcão bem grande e atrás dele até que um número grande de mesas, o balcão tem a cor laranja, confesso nunca ter visto algo desse tipo antes, a altura do balcão é um pouquinho desconfortável, mas nada muito incomum do que vemos até que num grande número de restaurantes hoje em dia.

No menu não existe nenhuma série de sushis nem omakase, então você precisa ir pedindo um a um, o que na minha opinião é o primeiro ponto negativo da casa.

Na ocasião, quem me serviu foi o próprio George Yuji Koshoji que não poupou esforços para preparar o que havia de melhor no dia, montando até algumas criações próprias bem interessantes que vocês podem conferir nas fotos, o ponto alto da série foi o Dyo de Salmão + Tamago + Ikura
Todos os sushis que eu pedi estavam bons, e acredito que esse seja o segundo ponto negativo dessa minha visita, eles estavam bons, não estavam excelentes como se espera de um restaurante que possui 1 estrela Michelin, se compararmos com o Huto (Que também possui 1 estrela Michelin) vemos o qual grande é o abismo que separa ambos os restaurantes.
O preço na minha opinião é o último ponto negativo, gastei mais de 200 reais, numa série que pela qualidade dos ingredientes custaria 100-120 reais em qualquer outro restaurante bom também.
A impressão que fica é que o George Koshoji é um adereço que não orna com o restante do lugar, durante essa visita ele se mostrou muito competente e simpático, acredito que se ele estivesse numa casa mais tradicional com ingredientes de ponta e um restaurante menor, tenho certeza de que o resultado seria muito diferente.
Dos 4 restaurantes japoneses que possuem 1 estrela Michelin em São Paulo (Jun Sakamoto, Huto, Kinoshita e Kosushi), sem dúvida é o que mais me causou estranheza, é dificil entender qual foi o critério adotado que equipara Jun, Huto com o Kosushi.

Especial Guia Michelin – Cap 1: Huto

Hoje começamos mais um especial aqui no Gourmet San!

Nele visitaremos restaurantes japoneses estrelados pelo Guia Michelin! Para que não sabe do que estou falando, o Guia Michelin (como um Guia 4 Rodas) ficou reconhecido por rankear restaurantes pelo mundo todo, de 1 a 3 estrelas.

Restaurantes que receberam as 3 Estrelas Michelin conseguiram ao longo de diferentes visitas dos inspetores Michelin manter o mais alto nível de serviço e comida! Um dos mais famosos 3 Estrelas Michelin no mundo dos restaurantes japoneses é o Sukiyabashi Jiro, do famosíssimo Jiro Ono, do documentário Jiro: Dreams of Sushi (recomendo MUITO assistir ao documentário AQUI).

Mas não estamos aqui pra falar de Japão e sim de Brasil! O Guia Michelin visitou São Paulo em 2015 e deu a diversos restaurantes a honra de ter 1 estrela Michelin! No dia de hoje eu escreverei aqui sobre o Hutô! Um restaurante japonês daqui de São Paulo que foi agraciado com 1 estrela Michelin! O restaurante fica numa área super residencial, no bairro de Moema, o endereço certinho é Av. Jandira, 677 – Moema, São Paulo – SP, (11) 5052-6804 (www.hutorestaurante.com.br/).

Eu fui com o Will, colaborador aqui no Gourmet San, mas pedimos coisas diferentes, vocês terão o prazer de ler 2 reviews diferentes do Huto =)

Eu e o Will reservamos o balcão, é claro. Assim que chegamos fomos direcionados para nosso lugar cordialmente pela hostess. Digo logo de cara o lugar é fino, bem decorado, ambiente aconchegante e com luz baixa, porém com pontos de luz nos lugares certos. Sentamos no balcão do Zezinho, que no meio do jantar descobrimos ter sido o braço direito do Jun Sakamoto por 7-8 anos (meu palpite é que ele deve ter assumido assim que o Juraci abriu o Aya).

Mas chega de falação! O Huto tem um cardápio bacana e com 3 opções de Omakasse, 1, 2 e 3. O 1 consiste em 5 entradas e 6 sushis especiais (sai uns 170 reais), o 2 consiste em 5 entradas e 10 sushis especiais (uns 230 reais), e o 3 consiste em um freestyle, o sushiman vai mandando de acordo com o que você quer, desde o início (preço = o que seu bolso aguentar, ou sua consciência permitir).

Eu escolhi o 2 e o Will o 3.

Vou começar com o couvert que consistia num trio de shimeji, vegetais e um atum agridoce. O shimeji não tinha nada de especial, o vegetal cozido também não. O atum agridoce estava gostoso, mas o tempero poderia ser mais agressivo e talvez com uns flocos de tempura por cima como comi no Kinoshita. Por 18 reais não recomendo, é melhor investir em outro prato.

Depois começamos o omakasse com um INCRÍVEL ovo tempura trufado e com ikura (ovas de salmão), comeria uns 10 desse, sem brincadeira, prato muito bem executado.

Em seguida serviram um lindo camarão numa base com shimeji. O camarão em si estava ótimo e o prato é bacaninha, mas confesso que ter comido shimeji no couvert e na entrada não foi legal, sinto que uma restaurante estrelado Michelin tem de ter uma olho nisso.

Agora uma das entradas mais belas, vieiras temperadas com yuzu, simplesmente deliciosas, além de que foi um dos pratos mais lindos que já vi.

Me serviram também um udon com flocos de tempura e fatias de kobe beef, um prato excelente numa porção perfeita, já comi em outros omakasses udon que me serviram um balde de udon. Só acho que o wagyu ficou um pouco perdido, talvez se fossem cubos e não fatias, ficaria melhor. Vale ressaltar uma parte fundamental no prato, os flocos de tempura dão uma textura incrível.

E para finalizar um excelente toro batidinho com caviar e gema de ovo de codorna, muito, muito bom, MAS eu esqueci de misturar um pouquinho de shoyu. =( vacilei, o shoyu ressaltaria o sabor muito mais!

Depois de todas essas entradas, eu assumo, já estava bem satisfeito e feliz, elas realmente compõe parte da refeição de forma muito respeitável. Mas ainda faltavam os sushis! Deem uma olhada neles aí abaixo, pega o babador!

Começamos com o sushi de atum gordo, toro, vejam que peça incrível o Zezinho cortou:

Depois ele já emendou com um atum com foie gras:

Diferentemente da maioria dos restaurantes japoneses que servem o atum com foie gras em formato de cubinho, no Huto eles servem uma camada completa por cima do atum, simplesmente divino, espetacular, um dos pontos altos da noite.

Depois o Zezinho partiu para alguns clássicos muito bem executados e cortados com perfeição:

Barriga se salmão com raspas de limão siciliano:

Veja que legal os cortes paralelos que bacana, bem diferente da maioria dos lugares que faz xadrez ou cortes perpendiculares.

Sushi de pargo:

Um dos sushis de pargos mais bem cortados, servidos e bem temperados de todos que já comi na vida.

Sushi de serra:

Em geral o serra tem um sabor bem forte, chega próximo da cavalinha (mas não tanto), esse estava incrível também, foi temperado com flor de sal e sal negro, comeria inúmeros sushis desse.

Sushi de King Crab / Centolla:

Nesse noite tivemos o prazer de ver o sushiman Zezinho trabalhando com centolla, esse ingrediente tão delicado. Ele tinha diversas perninhas do carangueijo ali e abriu e temperou na hora! Aliás, primeiro restaurante que acertou 100% no tempero, esse ingrediente chama complementos mesmo.

Sushi de uni:

Uni incrível que estava tão firminho que o chefe pode fazer o sushi em outro formato além do clássico gunkan! Isso só é possível quando o uni é de altíssima qualidade! E foi a primeira vez comi um sushi de uni temperado com flor de sal, ficou bem diferente, valeu a experiência!

Sushi de ika (lula):

Outro sushi muito correto, lula macia, bem preparada e temperado com limão e sal negro.

Sushi de vieira:

Outro ponto alto do jantar, sushi de vieira chamuscado e temperado com algo que não me recordo. Hoje em dia eu já posso dizer com propriedade, vieira crua é realmente melhor que assada/frita/etc.

E para finalizar, um repeteco: atum gordo, mas de um outro filé:

Um dos sushis com corte mais incrível que já vi na VIDA!! Parabéns Zezinho, que trabalho, repito, que TRABALHO! Absolutamente incrível.

De sobremesa me serviram um sorvete (presumo que feito na casa) com pêra em calda:

Eu não sou o Gourmet Sobremesa, sou bem simplista nisso, até demais, mas consigo falar de alguns pontos. Antes de mais nada eu desconfio que o Huto faça todas sobremesa na hora, sim, NA HORA. Por quê? Porque todas sobremesas eles informaram que levaria de 15-25 minutos para ficarem prontas. Eu, no ápice do meu simplismo pedi um petit gateau, que ficaria pronto em 25 minutos, já o de pêra em calda e sorvete, 15 minutos, troquei de pedido então.

Agora me diga, por que uma sobremesa de pêra em calda com sorvete levaria todo esse tempo para ficar pronta? A única resposta que vejo é que realmente eles fazem tudo na hora, o que é incrível e dá pra entender o motivo de serem estrelados pelo Guia Michelin.

Aproveitando, o Hutô realmente é um restaurante do mais alto calibre, pratos todos excelentes, equipe ótima, serviço do mesmo nível e ambiente requintado. Mas acho que posso ressaltar alguns pontos pra eles melhorarem ainda mais.

A questão do shimeji no couvert e na entrada do Omakasse, não gostei mesmo, pra uma refeição cara, acho que o garçon ou o sushiman poderiam ter dito que eu ia comer 2x shimeji, o que realmente não me interessava. Segundo ponto é a questão da sobremesa, se ela levava tanto tempo assim, deveriam ter me avisado antes, ninguém merece esperar tanto por uma sobremesa.

Minha conclusão final é que o Huto é sempre dúvida um dos melhores restaurantes japoneses de São Paulo, ele parece que une parte de restaurantes top de São Paulo num só, como Kinoshita e Geiko San, gostei demais!

Abraços

Gourmet San

Nakka – Reloaded

Tudo bem pessoal?

Nas últimas semanas voltei a visitar o restaurante Nakka, no qual já devo ter ido um total de 5 vezes até o momento, para aqueles que não conhecem o Nakka é um restaurante que podemos classificar como contemporâneo tendo como principais competidores no mercado restaurantes como Nagayama, Geiko-San e Kinoshita.

A história do Nakka embora muito recente possui alguns capítulos que vale a pena destacar, na minha primeira visita ao Nakka o chef do resturante era o Regis Hideki Shiguematsu, pouco menos de 1 ano depois quem assumiu como chef foi o Hermes Takeda, no início era visível que ocorreu um certo momento de instabilidade na preparação dos pratos o que fez com que eu ficasse bastante tempo sem voltar. Quando voltei a cerca de duas semanas atrás encontrei um restaurante de certo modo diferente.

A primeira coisa que me chamou atenção é que mesmo num momento onde atualmente muitos dos grandes restaurantes japoneses de São Paulo encontram dificuldades em encontrar determinados ingredientes como Anago (enguia de água salgada), nas duas vezes que fui ao Nakka nas últimas semanas, em ambas havia disponível no cardápio. Outro ponto que me chamou atenção também foi como o restaurante parece sempre muito cheio, as quintas e sextas-feiras entre as 19:30 e 20:30, é possível encontrar uma fila de espera para entrar, em alusão ao que acontece com um outro restaurante muito perto dali o Nagayama, só é importante lembrar que o Nakka é bem maior que o Nagayama.

Quanto aos pratos, eu costumo pedir sempre 2 bateras, 1 de spicy tuna e o outro de salmão, 1 nakka sushi especial (8 unidades de sushi premium), e duplas variadas, ora kobe beef, ika, salmão chamuscado ou anago, minha conta com 2 bateras, 1 nakka sushi especial, mais três duplas costuma custar cerca de R$ 220,00.

O ponto alto do Nakka na minha opinião é a consistência dos ingredientes, conforme já fora mencionado por diversas vezes pelo dono do restaurante Roberto Nakamori, o Nakka prima pelo melhor do que há disponível em ingredientes hoje em dia, além disso, tanto o chef Hermes quanto Mauricio Nakatubo tem um carinho surreal para decorar e temperar cada peça de sushi a união desses fatores resulta em pratos que parecem mais obras de arte tanto no âmbito estético quanto no sabor marcante.

Porém, nem tudo são flores, vale lembrar caros leitores que o Nakka é um restaurante contemporâneo, isso significa que o menu e a prioridade na compra dos ingredientes é feita utilizando-se esse direcionamento. Você deve estar se perguntando o que significa na prática? Bom, você pode estar certo de encontrar sempre o melhor salmão, vieira, buri, tai, aji e anago disponíveis, porque esses são pratos consumidos pela clientela, mas não espere encontrar um chu-toro ou o-toro. Além disso é importante lembrar que se a sua intenção é comer 10 fatias de sashimi de salmão ou atum, ou mesmo comer carpaccio de salmão trufado, existem milhares de opções mais baratas que irão te entregar o mesmo nível de ingrediente que o Nakka por um preço mais em conta.

Concluindo, o Nakka é hoje, sem dúvida, um dos melhores restaurantes japoneses de São Paulo, dentro de sua categoria contemporânea, com certeza um dos líderes de mercado.

Will