Mirai Lamen: no Itaim também tem Lamen

Aqui é o Marcelo Asamura da loja Konbini Produtos Orientais , visitei o Mirai Lamen, a mais nova casa de Lamen do Itaim Bibi em São Paulo.

Fica muita bem localizada na Leopoldo de Couto, próximo aos melhores estabelecimentos da região.
Para quem não conhece esta rua, talvez com certeza se lembra do bar do Juarez na JK, o Mirai é bem perto de lá.

A casa foi inaugurada faz pouco tempo e o chef da casa é o Marcos Okazaki que já teve passagem por Izakaya e outros restaurantes.

Como a casa é nova, o cardápio ainda está sendo definido, mas o carro-chefe são os Lamens e o chef está desenvolvendo novos pratos como o Okonomiyaki (panqueca ou pizza japonesa), prato típico de boteco japonês que eu pessoalmente aprecio muito.

Vamos ao que interessa, o Lamen que eu pedi foi o Missô Lamen, gosto muito de Missô (pasta de soja), mas no caso de Lamen, é muito comum o caldo ficar enjoativo, mas não é o caso do Lamen do Mirai, o caldo é bem agradável e nada enjoativo.

Os demais ingredientes também são ótimos, o Chasu (carne de porco) tem um ótimo sabor, a combinação com Tigensai (acelga chinesa), Naruto (massa de peixe – kamaboko), Ovos com gema um pouco mole, Broto de feijão e Alga wakame, ficam ótimos em conjunto.

Além disso, experimentamos o KARAAGUE (frango frito ao estilo japonês) que é bem crocante e saboroso, combina super bem se você for acompanhar com uma cerveja ou um chopp. Inclusive, eles estavam com promoção de Chopp em dobro no dia, outro motivo para você visitar a casa.

Pedimos a anchova grelhada com um leve toque de azeite trufado, que estava grelhada perfeitamente acompanhando um porção de arroz bem servida com missô temperado no estilo de Okinawa, missô que eu achei bem delicioso.

Para quem gosta de pratos saudáveis, a casa oferece algumas opções de POKE, aquele prato no estilo havaiano que está em alta por todo o Brasil.

O Chef criou a sua própria versão do ONSEN TAMAGO, ovo cozido lentamente que fica com a gema mole e costuma ser servido com um caldo bastante saboroso. Para os fãs de ovo, esse ovo é imperdível, ainda não provei, mas provarei com certeza na próxima oportunidade.

O Chef está desenvolvendo uma receita de TAN TAN MEN, é um prato de origem chinesa, com um estilo diferente do tradicional ramen japonês, mas vale a pena conhecer.

Não consegui provar ainda todos os pratos, mas recomendo visitar essa casa de Lamen principalmente se você mora ou trabalha na região do Itaim, Vila Olímpia em São Paulo.

O Chef Marcos Okazaki me enviou alguns pratos da casa para você conhecer o trabalho deles:

Na próxima visita vou provar o Onsen Tamago e o Okonomiyaki e atualizo esse post para você saberem o que eu achei. Um Katsu Karê também vai muito bom no frio, quem sabe também experimento o Karê deles.

Vantagens:
Custo/Benefício, para a região, o preço é acessível.
Fica muito próximo de outros locais bacanas, você pode comer um Lamen e depois ir para um barzinho na região.
Se você trabalha na região, o local é uma ótima opção para almoçar. Já trabalhei na região e sei como é difícil encontrar bons lugares no Itaim para almoçar e que sejam acessíveis.

Desvantagem:
Como fui à noite, não é muito fácil de estacionar na região.

Endereço: Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 777 – Itaim Bibi, São Paulo – SP

Curta o Facebook deles:
https://www.facebook.com/Mirai-Lamen-Itaim-Bibi-SP-968391310007757/

Sushi Tour SP episódio 2: Nakka (Itaim)

Eae pessoal, hoje é o segundo capítulo do Sushi Tour que fiz em São Paulo.

Uns meses atrás eu fui contratado por um grupo de investidores/restauranteurs do Rio de Janeiro para guiá-los num tour em São Paulo pelos melhores restaurantes dentro de um perfil específico que eles buscavam: modernos e contemporâneos. Visitamos 5 restaurantes em 4 dias.

O segundo restaurante do tour foi o moderno/contemporâneo/pop/lotado Nakka. Já escrevi bastante sobre o Nakka em outras reviews, então não preciso me estender muito, certo? Mas resumindo, o Nakka deve ser o restaurante mais badalado do cenário paulistano. Com duas casas (Itaim e Jardins) o restaurante foco em ingredientes de alta qualidade e um cardápio com ingrediente de ponta.

Fomos no almoço e foi preciso chegar cedo, pois o balcão é disputadíssimo, mesmo pelos clientes que não conhecem muito de comida japonesa (lá tem bastante). Agora se preparem pois foi uma verdadeira feast.

Primeiro é preciso ressaltar que sem dúvida o balcão de sushi do Nakka é dos mais bonitos de São Paulo, a maneira que ele é montado, com o vidro, e ficando na altura dos clientes, permite que assistamos toda movimentação na montagem dos pratos.

Seguindo, começamos com uma das minhas principais recomendações se você for ao Nakka: o sashimi de barriga de salmão.

Eles são deliciosos, suculentos, bem temperados e bem servido. É uma maneira excelente de começar a refeição.

A seguir, um gosto pessoal, primeiro, eu adoro um tempurá bem feito, segundo, eu adoro shisô, e terceira, amo atum batido. Imagina só agora um shisoten de spicy tuna:

É simplesmente delicioso, fenomenal, eu comeria esse prato todos os dias da minha vida, hahaha. Pois é, se posso definir pra vocês, ele é crocante, salgadinho e o sabor de todos ingredientes combinam bem, sobretudo a textura do tempurá com o atum batido.

Depois, um clássico do Nakka também, o uraebitem especial, que nada mais é do que um enrolado de camarão empanado com salmão maçaricado em volta:Eu gosto bastante, ele é correto, não incrível como os pratos anteriores, porém vale pra dividir com alguém.

Agora começa a loucura, a sequência madness de nigiris do Nakka. Claro, a sequência que nós pedimos, pois o Nakka estrategicamente não possui nenhuma sequência nem combinados, assim os clientes pedem tudo nos dedos (provavelmente gastando muito mais).

O primeiro foi o estrondoso atum com foie gras.Ele é farto, já adianto, o sabor explode na boca, é até um pouco exagerado, poderia ser um pouco mais comedido, porém o restaurante serve o que o público quer e pronto. O público do Nakka paga por esses sushis, fim de assunto.

A seguir a dupla de sushis trufados vencedoras do Nakka, a lula (ika) e a vieira (hotate):Como vocês podem ver, seguem a linha do restaurante de sushis grandes e bem montados. Ambos sushis são maravilhosos e eu comeria uns 10. O única ponto negativo é que o tempero de cada um deles é exatamente igual e isso logisticamente pro restaurante até pode funcionar, porém os ingredientes pedem trabalhos distintos.

Seguindo, outro sushi que você DEVE pedir no Nakka, a enguia (unagui):Bom, preciso dizer que foi a primeira vez que eles serviram com essa mal cortada fatia de abacate por cima. Pra mim não teve nada a ver…Claro que nos EUA é comum servirem uramakis de enguia com avocado, mas não em niguiris, acho que foi um equivoco. De qualquer maneira, o sushi de enguia do Nakka é magnífico, sobretudo por que você come um pedaço significativo de enguia, é um dos maiores, se não o maior da cidade.

Bom, querem uma pausa? respirar fundo? Espero que tenham comido antes de ler esse post, hehehehe.

Seguindo firmes, uma duplinha clássica, tradicional e que tenho certeza que o público do restaurante não pede: ikura e uni.Ambos estavam corretos, nada a comentar.

Assim com os sushis a seguir, o jow de ovo de codorna trufado e a dupla de carapau.Só vale a pena citar que foi no Nakka que comi pela primeira vez esse jow e inclusive é onde ele é feito com mais esmeiro.

Vocês devem estar sentindo falta de salmão, certo? O Nakka possui um excelente sushi de barriga de salmão chamuscado. Vejam abaixo:
Infelizmente ultimamente eles tem temperado em excesso esse sushi, ficando muito salgado, eles precisam dosar um pouco mais na mão…

Seguindo onde o Nakka precisa trabalhar um pouco, segue abaixo os nigiris de Kobe beefNão sei por que eu insisto nesse sushi, talvez só pra pagar pra ver mesmo, pois o sushi de Kobe beef do Nakka parece mais um hamburguinho e falta sabor e textura, de todos pedidos, esse é o único No-Go que digo a vocês.

Depois de respirar e conversar muito, apenas para compararmos com o Kinoshita, pedimos um sashimi de Kobe beef:

Estava correto, nada demais também, eu tenho a impressão que o restaurante possui o ingrediente para satisfazer ao público que frequenta, sem desenvolver muito o prato.

O que é diferente do sashimi de salmão trufado, que foi como encerramos o almoço:

É um prato farto, esses pedaços de salmão são generosos e eles são muito bem maçaricados e temperados, recomendo que peçam também.

Bom, depois de comer tanto, saí rolando do restaurante e muitíssimo feliz. Mas mais importante que tudo isso, foi legal ver os pontos fortes e fracos do Nakka e ajuda meus clientes a entender o que é legal replicar e o que é bom evitar.

Abraços e até a próxima!

Gourmet San

Sarumon: só salmão, funciona? SIM!

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

Oi pessoal, tudo bem?

Estive afastado das postagens aqui no blog, porém não parei de comer em restaurantes japoneses. E nos últimos tempos consegui visitar restaurantes novos e diferentes da minha lista corriqueira.

Voltando a ativa, visitei com um amigo de infância um restaurante que fica ali no Itaim e eu nunca tinha ouvido falar, o Sarumon, R. Pedroso Alvarenga, 365 – Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04531-010 Telefone: (11) 4562-4988

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados Saruman

Hahaha, não…. não se trata de um personagem do Senhor dos Anéis, mas sim de um restaurante que foca em apenas 1 tipo de peixe, o salmão!

Odiado pelos foodie-nazis pop do mundo cibernético, o salmão é um peixe belíssimo, versátil e delicioso, e que carrega o fardo de ter se popularizado em demasiado. Mas eu mantenho os pés no chão, arigatô Shake!

Pela primeira vez me deparei com um restaurante que abraçou a idéia de servir só salmão e já digo desde já, funciona perfeitamente! Os clientes já vão com expectativa alinhada e não tem chororô. E posso dizer que vivi isso empiricamente, o almoço numa quarta-feira estava cheio de pessoas do mundo financeiro e dos escritórios de advocacia do Itaim.

Pois bem, quando meu amigo me chamou pra almoçar no Sarumon, ele se preocupou em me alertar: “mas só tem salmão, ok??”. Isso acontece com frequência, as pessoas se preocupam no que o Gourmet San vai achar, mas eu sempre tento acalmá-los, eu entendo que existe restaurante pra todos os gostos e bolsos.

Pois bem, voltando ao Sarumon, é do mesmo dono do It Sushi, e isso se percebe facilmente pelos pratos servidos, como o spicy rock-shrimp:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão rock shrimp

E no formato dos enrolados e sushis servidos (na bandeja pelos garçons). Por falar nos sushis, todos são muito bem montadinhos e obviamente, todos de salmão:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

A variedade é bem satisfatória, assim como o sabor:

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão sushis e enrolados

O restaurante não tenta se reinventar, serve temakis (de salmão, rs) e clássicos como um carpaccio bem simples (de salmão):

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão carpaccio

O único prato que precisa ser repensado é esse abaixo, pasteizinhos. Não faz sentido nenhum, parece uma porçãozinha de pastel de boteco, será que é a idéia mesmo?

Sarumon Restaurante Japonês só de salmão pastel

No final das contas, o Sarumon entrega o que promete e o rodízio por 60 reais está bem justo para a região e para o serviço rápido!

E vocês já foram ao Sarumon? Conhecem outros restaurantes que se dedicam exclusivamente em salmão?

Me contem mais aí embaixo nos comentários.

Abraços!

Gourmet San

Ryo, de Edson Yamashita, o único kaiseki do Brasil!

Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Oi gente, tudo bem?

Faz mais de 1 mês que não escrevo =(

Sim, o final de ano é sempre corrido, atribulado e cheio de coisas, mas vocês podem sempre acompanhar pelo Instagram que continuo postando e visando lugares (não sempre novos, rs).

Pois bem, mas hoje a review é de um lugar novinho, que não tem nem 6 meses de vida, é o Ryo, restaurando novo do Edson Yamashita (Ex-Aze Sushi, Shin Zushi e Sushi Kan da matriz no Japão), basicamente um cara que entende muito da culinária japonesa! O Ryo fica na Rua Pedroso Alvarenga, 665 Itaim Bibi, telefone: 11 3881-8110 / 11-99221-2525 / contato@ryogastronomia.com.br

Já passei todas informações de contato aí em cima pois é bom vocês saberem que só atendem por reserva!

Depois de mais 1-2 anos que saiu do comando do Aze Sushi o Edson Yamashita percorreu o Japão e buscou lugares para seu novo empreendimento em São Paulo, demorou, mas não falhou, fiquei encantado com o Ryo, do começo ao fim.

Vamos lá.

Pera, vamos lá não…antes de falar do restaurante em si, é preciso que vocês saibam que ele funciona no sistema “Kaiseki (会席), que é um conceito que contempla uma forma de arte da culinária japonesa que equilibra sabor, textura, aparência e cores dos alimentos por meio de uma sequência de pratos tradicionais, artisticamente formatados, semelhante a um “menu degustação”, onde são usados ingredientes sazonais, únicos e frescos, incluindo também ingredientes locais.”

Entendeu? Bom, eu resumo, é uma experiência gastronômica que funciona similar ao menu degustação, porém os pratos servidos, além de harmonizarem entre si (sempre culminando no umami, o 5o sabor), também tem relação direta com a sazonalidade dos ingredientes da região. Isso faz com que o cardápio mude sempre, segundo o próprio Edson a idéia é mudar toda semana! Baita desafio!

Assim sendo, aproveitei que a casa estava com 30% de desconto e fui provar, como de costume quando quero comer com calma, abri a casa, cheguei 18h, ainda estavam preparando tudo e foi ótimo pra observar o restaurante e bater um papo com o Edson.

O ambiente é lindo, aliás, deem uma olhada no balcão:

Ryo Culinária Japonesa balcão

Ryo Culinária Japonesa balcão

E também no menu do dia:Menu Kaiseki Ryo Culinária Japonesa balcão

Não demorou muito e começaram a me servir os pratos! Mas antes dos pratos, uma surpresa, junto do bancha, serviram uma água com um ph especial que traz uma purificação maior do corpo, super interessante, e pra mim restaurante desse gabarito tem de impressionar do começo ao fim mesmo:

Ryo Culinária Japonesa balcão

E vamos partir logo para os pratos que foi um show de imagens, sabores e texturas!

Abaixo a sopa de marisco, o polvo e o atum!Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Os 3 totalmente diferentes, com características únicas, uma delícia, o polvo da família Shin Zushi não tem igual, realmente de uma maciez incrível.
Entradas Ryo Culinária Japonesa balcão

Depois me serviram um caldo de legumes delicioso, aliás, é o único jeito de eu comer nabo, rs. Vejam o video, muito mal gravado por mim mesmo. Pois é, eu gravei com o celular de pé ao invés de deitado, desculpem, mas deu pra captar a idéia:

Depois foi servido o prato de sashimis, linda apresentação, acho que a mais bela que já vi na vida (ah, agora acertei no video):

Nunca tinha presenciado nada assim, uma apresentação que eu mesmo tive de interagir, demais! Os peixes estavam super saborosos e fresquinhos, nada menos do que o esperado.

Seguindo me serviram o ponto único ponto mais fraco da refeição, o pato. Apesar da apresentação novamente linda e do ótimo purê de brócolis e vinagrete de alcachofra, realmente o pato não estava tão macio.
Screen Shot 2017-01-22 at 11.23.33 PMDepois dos pratos, começou a sequência de sushis! Quem conhece o Edson sabe que a mão dele devia coçar ali atrás do balcão do Aze Sushi, só comandando e sem botar a mão na massa, literalmente! Assim sendo dá pra ver que no Ryo ele fica mais do que feliz em servir sushis novamente, um a um.

São servidos 6 sushis na refeição, segue abaixo as delícias:

Toro do dia:
sushi de toro kaiseki Ryo Culinária Japonesa
O mais bonito do dia, xaréu:
sushi de xareu kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de serra:

sushi de serra kaiseki Ryo Culinária JaponesaSushi de engage (músculo da garoupa):
sushi de engawa kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de vieira:sushi de vieira kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Sushi de Uni:
uni  kaiseki Ryo Culinária JaponesaE como último prato, algo inédito pra mim, tomate momotaro recheado de peixe:
Tomate momotaro sobremesa moti e sorbet de cereja kaiseki Ryo Culinária Japonesa

Esse tomate é algo único, muito diferente mesmo, a textura, sabor e o molhinho, foi bem interessante.

E como sobremesa, morango coberto por chocolate e moti e sorbet de cereja!sobremesa moti e sorbet de cereja kaiseki Ryo Culinária Japonesa

O sorbet é feito em casa e o moti com chocolate e morango foi feito na minha frente, muito muito muito bom, gostoso e confesso que foi minha 1a vez comendo moti, me surpreendeu, gostei bastante!

Agora pra completar, vamos lá, vale a pena? Sim! Se não me engano o valor fechado é entre 180 e 200 e ainda há vouchers de 30%, aí vale muito a pena, se não, continua valendo mesmo sim. Antes de mais nada é o único restaurante no Brasil inteiro que trabalha abertamente com o sistema kaiseki, se vocês conhecem outro me avisem. E não me vem com Kinoshita, pois ele não é.

Recomendo pra ocasiões especiais e pra apreciadores de profusão de sabores, afinal a refeição segue uma cadência pra chegar ao umami e isso faz a experiência ser única.

Eae, o que achar? Curtiram? Já foram?

Abraços

Gourmet San

Naga, o primo chique do Nagayama

Eae pessoal, tudo bom?

Mais um domingo a noite, é hora de mais uma review aqui no Gourmet San!

Depois a excelente review feita pelo colaborador Will do Nagayama, resolvemos ir ao Naga, que fica logo ao lado.

ALIÁS, sim é um “aliás” maiúsculo, nessa esquina da Bandeira Paulista tem 3 Nagayamas. 2 no térreo (Nagayama e Nagayama Café, que de café não tem nada) e o Naga.

O Naga é só pra quem sabe, e tenho dito! Apesar de vocês até poderem ter ouvido do Naga, acho difícil ir lá por conta própria ou iniciativa própria, parece mais um encontra secreto da seita dos sushizeiros, rs. Piadas a parte, foi assim que me senti ao ir ao Naga, e conto mais a seguir.

Chegamos e o restaurante ainda estava fechado, mas quando os funcionários que estão do lado de fora percebem que você vai no restaurante eles te convidam a esperar dentro.

Do lado de dentro você espera numa pequena salinha escura onde cabem no máximo 15 pessoas. Tem um bar, um barman e a hostess, não mais que isso. Uma televisão ligada no Sportv passa os resultados do dia, do futebol é claro, rs. O barman oferece uma bebida mas negamos. Não é o que o casal mais granfino do outro lado da salinha faz, pedem o cardápio e algum drink.

Como chegamos perto do horário de abertura (19h30? ou 19h?) logo a hostess nos convida antes para subir. Subimos e o restaurante é maior do que eu imaginava, tem um número considerável de mesas. O ambiente é bem escuro, intimista, perfeito para um encontra a 2. As janelas tem cortinas que são abertas a noite apenas. Vendo daquela perspectiva dá pra entender porque do lado de fora não é possível entender que é um restaurante ali em cima.

Sentamos direto no balcão, vazio e muito bonito.

Depois de 3 minutos já estava cheio. Do nosso lado, um casal de 50 e poucos anos. Por falar nisso,  público do Naga é bem único e padrão. Público adulto (50-60 anos) com muito dinheiro e…pouco conhecimento sobre comida japonesa ou sushi. Aliás, é possível fazer um paralelo bem próximo com o público dos sushibares moderninhos da cidade Geiko San e Nakka, para citar uns exemplos. Esses restaurantes, recém nascidos, possuem um publico igualzinho ao da Naga, porém 20-30 anos mais novo.  E eu digo tudo isso com conhecimento de causa.

Mas vamos ver umas fotos do que comemos? depois continuo minha dissertação sobre a experiência:

Antes de mais nada, já aviso, não foi nada barato, meu foco inicial era deixar no máximo 170-200 reais lá e saiu 50% a mais que isso =(.

Aí vocês devem se perguntar, mas por que? Você não controlou o pedido? Não… e vocês vão entender abaixo.

Nesse tipo de restaurante em geral o menu não quer dizer muita coisa, a não ser que você queira ver os combinados de salmão e atum que eles possuem. Restaurantes a la carte de alto nível possuem ingredientes bons e excelentes que sempre alternam, ou seja, se você quer comer bem, pergunte ou deixe por conta do sushiman, nós fizemos um mix.

Sentamos e pedimos 10 niguiri sushi pra cada um, os melhores do dia e que depois iríamos ver algum enrolado. Afinal o próprio Will me disse que eles tinham enrolados de vieira que pareciam promissores.

Começamos e logo nos serviram uma entradinha bem boa de polvo, logo depois começaram os sushis. Não vou negar, eles começaram beeeem devagar, sushis bem simples, de atum-akami (parte das costas e mais vermelha), robalo, buri, serra, mas nenhum peixe gordo. Depois melhorou. Um pouco.

Nos serviram uma ótima sequência de um farto camarão, uma centolla gigante (kingcrab) e uma lula mais ou menos (mal cortada). Depois nos serviram um trio muito bom: ikura, uni e spicy king crab. O spicy kingcrab realmente é uma delícia, já tinha provado no Geiko San. Porém, os gunkan sushi estavam mal montados, faltou habilidade ali pros sushimans, só ver na foto.

Enquanto isso, no meio do jantar, o chefe responsável pelo Naga, e que coordena todos sushiman ali nos ofereceu uma ostra com uni temperada, simplesmente deliciosa. Adoro quando chefes nos oferecem pratos extra que eles sabem que não são todos clientes que gostam, essa é a alma do sushibar. Ele também nos serviu ovas de tainha (karsumi).

Os sushiman continuaram nos servindo sushis, 10, 11, 12, 13, 14, 15! Finalizaram com um delicioso e fartíssimo sushi de atum com foie gras e uma gordíssima enguia (unagui, sim ela voltou a cidade).

Mas pera, você repararam algo acima? Eu tinha pedido claramente 10 sushis, mas eles foram servindo mais, mais, mais, mais. E depois veio a conta, claro, todos esses sushis E….E…a entradinha, a ostra e as ovas de tainha (karasumi). Somando mais uns 120 reais fácil pra conta. Sabe o que é isso? FALTA DE RESPEITO, mas infelizmente, eu que estava no ambiente dos ricaços, onde a conta nunca é vista, revista ou analisada com afinco, você apenas dá seu cartão e pega o carro no valet (o que eu não faço).

Os restaurante japoneses realmente possuem incongruências no serviço, alguns cobram chá-verde, outros não, alguns cobram cortesia, outros não. Na minha humilde, mas experiente opinião, não se deve cobrar cortesias, JAMAIS. Claro que não estou falando de oferecer cortesias, mas sim servir diretamente, eu ia fazer o que? Negar? Perguntar se iam me cobrar ou não? Paro por aqui, mas confesso que me tirou do sério um pouco.

E agora o veredicto final. Gourmet San, você recomendo o Naga? Sim! Recomendo, para ocasiões especiais, comemorações a 2 e claro, que você não se importe em gastar um pouco a mais. E se for sentar no balcão, atenção com as “cortesias”

Abraços

Gourmet San

 

 

 

Demistificando o Nagayama

Após 4 visitas é chegada a hora de finalmente fazer a review do Nagayama, essa review é com certeza uma das mais interessantes pra mim, eu de certo modo levei um tempo para entender o que exatamente era o Nagayama. O restaurante fica localizado na R. Bandeira Paulista, 369 – Itaim Bibi, Telefone:(11) 3079-7553.

Na minha primeira visita em 2014 eu havia pedido um combinado e uma série de sushis, e minha conta havia sido um pouco alta, cerca de 200 e poucos reais, e na época eu achei que tinha pago caro, pois esse foi o comentário que eu havia ouvido de muitas pessoas, de que o Nagayama era muito caro pelo que oferecia.
E com isso na cabeça eu simplesmente ignorei o restaurante por praticamente 2 anos, vindo a voltar apenas no começo de 2016,
Só pra dar um pouco de contexto, ao final do ano passado aparentemente por um problema de greve nos entrepostos, haviam alguns peixes que praticamente não se encontrava nos restaurantes como Chu-Toro ou O-Toro, e isso se arrastou por boa parte de Novembro e Dezembro.
Quando cheguei na minha nova visita ao Nagayama em janeiro de 2016, pra minha surpresa todos os peixes que estavam em falta no circuito comercial haviam lá, O-Toro, Chu-Toro, Uni e Unagui. Então nessa visita eu pedi uma série de 10 sushis entre duplas e unidades do melhor que eles tinham no dia e acabei gastando cerca de 300 reais, mas sai de lá satisfeito. Vejam abaixo o que comi:
E finalizei com uma dupla de unagui e o-toro:

Sushis Incríveis!

Algumas semanas mais tarde voltei com o Breno também na hora do almoço e pedimos cerca de 10 sushis duplas de sushi divididos entre duas pessoas, e no final dessa visita gastamos cerca de 170 reais. Vejam abaixo todas duplas que dividimos.

Sushi de serra e buri:

Sushi de vieira e pargo:
Sushi de barriga de salmão e lula:
Sushi de sabá e uni:
Sushi de polvo com aspargos:
Sushi de atum com foie gras:
Sushi de ikura:

Todos sushis simplesmente incríveis. Vale a pena dizer que foi a 1a vez que o Breno (Gourmet San) foi lá e ele ficou impressionado também.

Ontem, eu fiz mais uma visita ao lugar, e pedi uma série de 17 unidades de sushi e minha conta ficou por volta de 260 reais.

Minha conclusão é que foi um erro ter deixado de ir ao Nagayama por quase 2 anos, e agora vou explicar o porquê.

Embora a faixa de preço dele fique em torno de 200-300 reais por visita, não se pode dizer que é um restaurante caro, porque os ingredientes são realmente os melhores que você provavelmente vai ter a sorte de encontrar no circuito comercial atual, em todas as visitas havia Unagui por exemplo e não falo daquele Unagui raquitico que é servido em muitos lugares, é um Unagui gordo de um tom marrom bem claro e brilhante.

O Uni é sem dúvida um dos melhores que já comi, e com certeza está num patamar acima do restante dos outros restaurantes,

A Ika é deliciosa e incrivelmente leve,

O Tako grelhado é crocante e gostoso,

Sem falar no Chu-Toro e O-Toro que frequentemente você encontrará no cardápio,

O Nagayama entrega o que se espera dele, um dos restaurantes mais tradicionais e experientes (senão o mais experiente de todos do circuito comercial atual), sushis generosos do tamanho certo, matéria-prima de excelente qualidade e execuções que você só encontrará lá como Tako grelhado, a Ika e Sushi de Ebi Furai e Wakame.

Se optar por ir no almoço ou no jantar encontrará equipes diferentes, o lado bom é que em ambos os chefs tem criações e identidades distintas e você verá uma certa variação na execução e preparo de cada prato bem como os temperos,

Eu tenho apenas uma crítica a fazer ao Nagayama, eventualmente principalmente no almoço você pode dar o azar de pegar um chef mais jovem ou despreparado, lembro-me de em uma das visitas ter sido informado que eles apenas trabalhavam com duplas e não unidades de sushi, o que foi prontamente desmentido por outros chefs do local.

Concluindo, não é de hoje que o Nagayama é uma das referências em sushi em São Paulo, brigando de frente com Kan, Jun, Huto e Shin-Zushi pelo posto de melhor restaurante, uma das poucas casas que consegue transitar entre o contemporâneo e o tradicional, esteja pronto para encontrar tudo do melhor ali, mas lembre-se que ter esse nível altíssimo de serviço tem um preço então esteja ciente de que em cada visita gastará cerca de 150-300 reais.

A melhor pedida de 2015 em São Paulo: Omakase Nami Frio do Aze Sushi

Oi gente, tudo bom?

Faz um tempinho que essa minha review está no forno, mas tem um motivo. Ela é um mais emblemática e significativa, pois pela 1a vez eu senti que um restaurante possui um pedido ideal. Bom, mas o que é o pedido ideal? O pedido ideal é aquele que representa um custo benefício excelente, mas melhor do que isso, ele une o melhor que o restaurante pode oferecer.

O Aze Sushi, que é o restaurante que hoje escrevo, apesar de novo (existe faz uns 3 anos), já é velho de guerra. Eu já fui lá muitas vezes. Já comi tokujo, tirashi, menu executivo, omakase e até já pedi combinados. A única parte que nunca cheguei a provar é a cozinha quente a la carte.

Pois bem, depois de muitas visitas, num quente dia de dezembro, eu e o Will (colaborador aqui do blog) fomos jantar lá. O Will, como de praxe, foi no tokujo e mais alguns sushis avulso que ele sempre pede. Eu, como vou lá menos que o Will, acabo pedindo o Omakase Nami, que é o de 6 pratos (diferentes, ou seja, sequencia variada de sashimis conta 1), como já relatei numa outra review.

O omakase Nami da bem pro gasto, é bastante comida, incluindo pratos quentes. Mas desta vez não ia rolar pratos quentes, sabe quando tudo que você quer é um ar condicionado e um copo suando com gelo e coca-cola? O Takao, sushiman chefe do Aze, mandou muito bem e me disse que poderíamos fazer um Nami mas só com pratos frios e que ele compensaria com outros pratos frios. Aceitei na hora!

Vejam tudo que ele me serviu:

Estão vendo tudo isso acima? Sim 21 “pratos” diferentes e que saíram por uns 140 reais, afinal eu usei o desconto do Chef`s Club (30% off), mas o preço original é uns 170, o que vale mesmo assim.

Todos os sushis excelentes, peixes fresquíssimos e o mais legal é que esse Omakase é bem variado, o Takao sempre usa o que tiver de melhor no dia. Ah, além disso, vale a pena comentar que o Takao tem uma comunicação acima de média dos sushiman, ou seja, ele não é daqueles que ficam quietos e não perguntam o que o cliente quer, ele deixa bem claro que quer servir o melhor dentro do seu gosto e vontade no dia.

Enfim, nota 10, minha meta é sempre que ir lá comer esse omakase, vale a pena a economia, me ouçam, vale a pena!! Última dica, vale a pena dar uma ligada lá no Aze Sushi de forma marota e amigável e perguntar se o dia está bom pra uma omakase. Fica a dica.

Abraços

Gourmet San

Especial Guia Michelin: Kosushi, por quê?

Tudo bem pessoal?

Hoje seguindo a série de visitas aos restaurantes aqui de São Paulo que possuem 1 estrela Michelin, vamos hoje falar sobre a minha visita ao Kosushi,

Primeiramente, vou comentar alguns pontos sobre o local em si, o restaurante tem um balcão bem grande e atrás dele até que um número grande de mesas, o balcão tem a cor laranja, confesso nunca ter visto algo desse tipo antes, a altura do balcão é um pouquinho desconfortável, mas nada muito incomum do que vemos até que num grande número de restaurantes hoje em dia.

No menu não existe nenhuma série de sushis nem omakase, então você precisa ir pedindo um a um, o que na minha opinião é o primeiro ponto negativo da casa.

Na ocasião, quem me serviu foi o próprio George Yuji Koshoji que não poupou esforços para preparar o que havia de melhor no dia, montando até algumas criações próprias bem interessantes que vocês podem conferir nas fotos, o ponto alto da série foi o Dyo de Salmão + Tamago + Ikura
Todos os sushis que eu pedi estavam bons, e acredito que esse seja o segundo ponto negativo dessa minha visita, eles estavam bons, não estavam excelentes como se espera de um restaurante que possui 1 estrela Michelin, se compararmos com o Huto (Que também possui 1 estrela Michelin) vemos o qual grande é o abismo que separa ambos os restaurantes.
O preço na minha opinião é o último ponto negativo, gastei mais de 200 reais, numa série que pela qualidade dos ingredientes custaria 100-120 reais em qualquer outro restaurante bom também.
A impressão que fica é que o George Koshoji é um adereço que não orna com o restante do lugar, durante essa visita ele se mostrou muito competente e simpático, acredito que se ele estivesse numa casa mais tradicional com ingredientes de ponta e um restaurante menor, tenho certeza de que o resultado seria muito diferente.
Dos 4 restaurantes japoneses que possuem 1 estrela Michelin em São Paulo (Jun Sakamoto, Huto, Kinoshita e Kosushi), sem dúvida é o que mais me causou estranheza, é dificil entender qual foi o critério adotado que equipara Jun, Huto com o Kosushi.

Nakka – Reloaded

Tudo bem pessoal?

Nas últimas semanas voltei a visitar o restaurante Nakka, no qual já devo ter ido um total de 5 vezes até o momento, para aqueles que não conhecem o Nakka é um restaurante que podemos classificar como contemporâneo tendo como principais competidores no mercado restaurantes como Nagayama, Geiko-San e Kinoshita.

A história do Nakka embora muito recente possui alguns capítulos que vale a pena destacar, na minha primeira visita ao Nakka o chef do resturante era o Regis Hideki Shiguematsu, pouco menos de 1 ano depois quem assumiu como chef foi o Hermes Takeda, no início era visível que ocorreu um certo momento de instabilidade na preparação dos pratos o que fez com que eu ficasse bastante tempo sem voltar. Quando voltei a cerca de duas semanas atrás encontrei um restaurante de certo modo diferente.

A primeira coisa que me chamou atenção é que mesmo num momento onde atualmente muitos dos grandes restaurantes japoneses de São Paulo encontram dificuldades em encontrar determinados ingredientes como Anago (enguia de água salgada), nas duas vezes que fui ao Nakka nas últimas semanas, em ambas havia disponível no cardápio. Outro ponto que me chamou atenção também foi como o restaurante parece sempre muito cheio, as quintas e sextas-feiras entre as 19:30 e 20:30, é possível encontrar uma fila de espera para entrar, em alusão ao que acontece com um outro restaurante muito perto dali o Nagayama, só é importante lembrar que o Nakka é bem maior que o Nagayama.

Quanto aos pratos, eu costumo pedir sempre 2 bateras, 1 de spicy tuna e o outro de salmão, 1 nakka sushi especial (8 unidades de sushi premium), e duplas variadas, ora kobe beef, ika, salmão chamuscado ou anago, minha conta com 2 bateras, 1 nakka sushi especial, mais três duplas costuma custar cerca de R$ 220,00.

O ponto alto do Nakka na minha opinião é a consistência dos ingredientes, conforme já fora mencionado por diversas vezes pelo dono do restaurante Roberto Nakamori, o Nakka prima pelo melhor do que há disponível em ingredientes hoje em dia, além disso, tanto o chef Hermes quanto Mauricio Nakatubo tem um carinho surreal para decorar e temperar cada peça de sushi a união desses fatores resulta em pratos que parecem mais obras de arte tanto no âmbito estético quanto no sabor marcante.

Porém, nem tudo são flores, vale lembrar caros leitores que o Nakka é um restaurante contemporâneo, isso significa que o menu e a prioridade na compra dos ingredientes é feita utilizando-se esse direcionamento. Você deve estar se perguntando o que significa na prática? Bom, você pode estar certo de encontrar sempre o melhor salmão, vieira, buri, tai, aji e anago disponíveis, porque esses são pratos consumidos pela clientela, mas não espere encontrar um chu-toro ou o-toro. Além disso é importante lembrar que se a sua intenção é comer 10 fatias de sashimi de salmão ou atum, ou mesmo comer carpaccio de salmão trufado, existem milhares de opções mais baratas que irão te entregar o mesmo nível de ingrediente que o Nakka por um preço mais em conta.

Concluindo, o Nakka é hoje, sem dúvida, um dos melhores restaurantes japoneses de São Paulo, dentro de sua categoria contemporânea, com certeza um dos líderes de mercado.

Will

It Sushi: um rodízio inteligente num cenário desfavorável

Oi gente, tudo bom?

Se tem uma coisa difícil no momento atual gatronômico da cidade de São Paulo é o surgimento de novos rodízios de comida japonesa. Eles já tiverem o seu tempo, seu auge, onde o público estava descobrindo quais valiam a pena ou não.

Durante esse processo alguns rodízios despontaram e se mantém até hoje (Mori Ohta, Aoyama e o Mori Sushi, só pra citar alguns…). E por outro lado muitos fecharam, sua grande maioria. Indo um pouco além, posso dizer a vocês que alguns anos atrás eu cansei de ir rodízios novos e que depois de 6 meses estavam fechados.

Mas isso era esperado, o rodízio não é um sistema simples para um restaurante, é preciso que muitos fatores funcionem bem ao mesmo tempo. Desta forma, os restaurantes de rodízio perderam seu espaço aos poucos para restaurantes a la carte contemporâneos e moderninhos, focando em preços altos acompanhados de qualidade (na maioria das vezes).

Depois dessa introdução, deveras necessária (rs), podemos dar início a review do restaurante de hoje, o It Sushi, localizado na Rua Pedroso Alvarenga, 1026 – Itaim Bibi, São Paulo (11) 3213-0717 (www.itsushi.com). O It Sushi é um restaurante, pelo o que ouvi, do mesmo dono do Kibô Sushi (más lembranças), erroneamente avaliado pela Veja como um dos melhores rodízios de São Paulo.

Pois bem, mas vamos falar do It Sushi. Ele possui um rodízio no almoço por 72,00 reais e foi esse que fui provar!

O sistema do rodízio é diferente e já assumo desde já, MUITO INTELIGENTE! Vou explicar…eles oferecem um rodízio no sistema menu degustação, ou seja, os pratos tem uma sequência pré-definida que será seguida e todos os pratos serão servidos caso você não tenha nenhuma objeção ou restrição. Falando em sequência, vejam o menu deles:

Para quem não entendeu ainda, vou explicar. Num rodízio normal o restaurante precisa ter o rodízio completo para todos que entram no restaurante, e com quantidades enormes sobressalentes, afinal alguns comem 1 guioza e outros 5, alguns comem uma tábua de shimeji, outros 3 e por assim vai. Além disso, um problema que atinge muitos rodízios são os combinados de sushi, sempre servindo (leia-se “empurrando”) peças e enrolados que ninguém quer e sendo impactado negativamente por clientes (como eu) que pedem coisas diferentes, que os sushiman muitas vezes não querem ou não sabem servir.

Bom, de todos esses males o It Sushi não sofre. O sistema de rodízio com ordem pré-definida faz com que você coma toda sequência de pratos para depois pedir as repetições, o que é ótimo para o restaurante, pois no final da sequência você já está bem satisfeito. Outro ponto é que a cozinha e o sushibar já se preparam para servir os pratos seguintes.

Vamos falar da comida? Afinal de nada adianta um sistema inteligente e inovador sem comida boa!

Comecei pedindo um temaki de atum, Para minha surpresa o garçom disse que não estava incluso no rodízio mas que para mim faria uma exceção. O discurso dele foi tão redondinho que acho que basta você pedir que eles servem!

O temaki estava bonzinho apenas, a alga média e o atum também. Foi uma boa maneira de começar a refeição.

A seguir me serviram as entradinhas quentes, o guioza, lula empanada e o harumaki de kani:

Guioza bem leve, na medida, lula um pouco borrachuda, bem empanada mas difícil de comer devido ao espetinho, seria melhor se a lula estivesse concentrada numa parte para podermos comer numa vez só. E por final o pior disparado o harumaki, sem gosto de nada , muito pequeno e sem molho ou tempero, nota 2.

A seguir um clássico de todos os rodízios, o mix de cogumelos shimeji e shitake:

Estavam bem temperados mas achei que veio muito pouco e estava picados de maneira muito pequena, vejam que mal dá pra distinguir o que é shimeji de shitake e olha que eles são bem diferentes. Mas se a porção fosse maior já resolveria.

Mas esse início meia boca do It Sushi parou por aí, pois eles serviram um camarão empanado num molho levemente apimentado chamado rock spicy shrimp. Nota 10, comeria pelo menos umas 3 dessa cumbuquinha. Aliás, ótima, repito, ótima alternativa para o já clássico camarão empanado que muitos restaurantes servem.

Depois das entradas quentes começaram as frias.

O 1o prato foi o ceviche. Depois de uns anos eu comecei a desconfiar muito de ceviches em restaurantes japoneses, sobretudo após compará-los com os de restaurantes peruanos especializados em ceviche que conheci.

Mas dou o braço a torcer o do It Sushi foi feito na hora, ou pelo menos alguns minutos antes, o peixe não estava super cozido, estava no ponto afinal, nada pior do que peixe super cozido num molho de limão agressivo demais.

Logo após o ceviche serviram o que o restaurante chamou de tartare de salmão:

Apesar do prato ser gostosinho, isso não é um tartare, basta fazer uma busca rápida no tio Google. Mas vamos falar do sabor, o molho era um pouco simples demais, ou unidimensional como costumam dizer. Acho que o restaurante poderia trabalhar algumas outras combinações como gengibre, maçã etc, que já provaram funcionar muito bem para molhos adocicados.

E para finalizar as entradas frias, dois carpaccios, um de salmão com flor de sal e outro de peixe branco com sriracha e azeite trufado:

Ambos estavam honesto, confesso, e o engraçado é que o It Sushi pecou um pouco justamente no que os outros restaurantes exageram, no tempero. Tem restaurante deixam os pratos enjoativos de tanto azeite aromatizado de trufa que fica até ruim. Não foi o caso do It Sushi, o carpaccio de salmão ficou um pouco seco, faltando um pouco mais de tempero só.

Agora, finalmente, vamos para os sushis enrolados.

Eles servem uma sequência de enrolados bem bacana e variada:

Todos enrolados ótimos, bem gostosos, cada um tinha algo especial, menos o djo de salmão que era normal. Os meus preferidos foram o batera, o uramaki de spicy tuna e o hot roll. Eles acertaram bem nessa sequência, muito boa mesmo! Apenas a gosto pessoal, acho que o com creamcheese por cima ficou carregado demais, poderiam pegar mais leve.

E por final, o nigiris:

Todos sushis com um toque especial, TODOS. Escolhas muito bem feitas pelo It Sushi, estão de parabéns! Polvo trufado, salmão maçaricado chamuscado, atum maçaricado com paste de umeboshi, salmão com raspas de limão sisciliano e shiromi com yuzu (limão japonês).

Esse foi o único prato que eu repeti, tive de experimentar os sushi novamente, aprovados!

Agora minhas considerações gerais sobre o It Sushi. Ambiente um pouco pequeno e apertado demais, para um almoço é bacana, mas imagino um jantar onde você queira mais privacidade deve ser um pouco chato, eu ouvi sem querer toda conversa sobre investimentos da mesa ao lado. Acho que um remanejamento de mesas cairia bem.

Sobre o modelo do rodízio, já disse, excelente, inovador e muito inteligente, eu terminei a sequência de pratos sem fome nenhuma. Agora, sobre os pratos, ajustes precisam ser feitos, sem dúvida nenhuma, já comentei sobre eles acima. Mas tem mais um ponto específico, os nigiris são quase uma cópia do Nakka, é como se fosse uma versão econômica. Claro, nada contra, nada se cria, tudo se copia, mas era um registro que eu precisava fazer.

Por final, o serviço foi rápido e eficiente, inclusive com um gerente (oriental) indo de um lado pro outro tomando conta de tudo. O único ponto que acho que eles precisam ficar de olho nos funcionários que estão em excesso ali (inclusive esbarrando em si mesmos) e no treinamento, um deles cada vez que me entregava um prato me chamava de “campeão”, nossa nada a ver!

E vocês, já foram no It Sushi? Acho que é uma boa opção para rodízio no horário do almoço, bom preço e bons pratos, ou seja, bom custo benefício.

Abraços e até a próxima

Gourmet San