Os melhores de SP em 6 semanas epi 4: Aizomê

Olá a todos,

Hoje é o quarto episódio de uma série especial, todo domingo a noite, um post inédito sobre um restaurante japonês top de São Paulo e seu menu degustação (omakasse).

As visitas foram feitas por um enviado especial do Gourmet San, o Will, um colega fanático por comida japonesa e que visitou  apenas as indicações dos melhores! Foi assim, através de indicações minhas e uma pré-lista dele que se deu início a o que talvez tenha sido uma das maiores sagas de restaurantes japoneses, ele percorreu os melhores restaurantes japoneses seguidos, um por semana! Então ele tem a visão única do atual estado dos melhores!

A review dessa semana é de um restaurante fora de série em muitos sentidos, o Aizomê! Já escrevi sobre ele muito tempo atrás, quando fui almoçar uma vez lá gostei tanto que o apelidei de a Pérola do Jardim Paulistano, não é pra menos eu acho. Bom o Will foi lá para uma proposta diferente da minha, ele pediu o omakasse no jantar e nos deixou suas impressões e as fotos é claro!

Logo ao chegar, o Will teve a mesma impressão que eu, o lugar é só pra quem conhece, afinal fica bem escondidinho, não tem placa com o nome e a porta de entrada fica na lateral da casa. Indo um pouco além, é só pra quem sabe e deve saber, se é que vocês me entendem, eles não buscam a massificação.

Para não perdermos mais tempo, veja abaixo que belas fotos, para vê-las ampliadas basta clicar nelas.

Fotos incríveis, não? E se você reparou bem, pouquíssimos sushis, pois o foco do Aizomê é em pratos, portanto segundo o Will, ele se compara e segue mais na linha do Kinoshita!

Will apontou como ponto forte a grande variação, o menu não é fixo, eles sempre trabalham com o que há de melhor no dia, então não se espante de indicar para alguém certo prato e ele não ser servido, essa a graça do Aizomê, ele sempre muda. Aliás, isso é algo muito bom, pois permite que os clientes retornem sempre e sempre!

Ainda falando dos ingredientes, o Will citou o excelente magret de pato, que você dificilmente vê em casas japoneses e que o do Aizomê estava absolutamente incrível, super bem preparado! Todos os pratos seguiram a mesma linha do magret de pato, preparados com muita técnica e servidos de forma muito bonita, mesmo se você é um fã de comida japonesa fria, irá adorar os pratos quentes servidos.

O Aizomê possui molhos especiais para cada prato, o que denota o nível da casa, o gabarito do chefe (Shin Koike) e o que você pode esperar da experiência!

Os sushis e sashimis servidos na degustação estavam divinos, Will comentou que deu pra perceber que cada peixe servido recebeu algum tipo de trato especial, seja defumado, maturado, chamuscado etc.

Mas, mesmo os sushis e sashimis estando excelente, o foco do restaurante não é a parte fria, portanto se você come apenas sushis e sashimi, talvez não seja a melhor opção, mas é recomendado que você abra sua mente e vá em frente. Will percebeu isso quando pediu alguns sushis a la carte, a variedade não era grande e o preço foi bem salgado, ele pediu uma dupla de toro e uma de vieira e saiu 70 reais esses 4 sushis.

Resumindo, o Aizomê tem tudo para te dar uma experiência gatronômica incrível, mas não vá com foco em sushis e sashimis, aproveite tudo que eles podem oferecer.

Ah, quase esqueci, o valor do omakasse é de 190,00 reais.

Abraços

Gourmet San

Restaurante Aizomê – a pérola do Jardim Paulista

Olá a todos,

É com grande entusiasmo que escrevo o post de hoje. O Gourmet San visitou o famoso restaurante japonês Aizomê, do chefe Shin Koike, que fica na Al. Fernão Cardim, 39,  tel 3251-5157 (www.aizome.com.br). Para quem não sabe, o chefe Shin Koike era o responsável por um dos mais tradicionais e badalados restaurantes japoneses de São Paulo, o A1, que possuía uma aura de algo meio secreto etc…porém este fechou as portas em 2008, ele se localizava alino prédio do Top Center, na Av.Paulista.

Mas, voltando ao Aizomê, um tempo atrás fiquei curioso de ir lá, porém eu simplesmente não achava o local! Passava no endereço e só via comércio, casas familiares e prédios…até que…percebi que uma dessas casas abrigava o Aizomê!! uma jóia, praticamente escondida ali no bairro do Jardins! Ok, mas jóia por que? Bom, é isso que tentarei mostrar a vocês abaixo.

A primeira vista você tem impressão de que está entrando num lugar proíbido, secreto mesmo. Sou saudado pelos garçons, pelos sushimans no balcão (haviam dois) e por uma japonesa extremamente simpática. Vejo que o balcão possui lugares e já fico feliz, ela pergunta onde desejo sentar, eu digo que onde for melhor para eles, ela me retruca e diz: “onde for melhor para você!” Escolho a diagonal do balcão e sento.

Na porta eu havia pego uma filipeta impressa no papel sulfite com o cardápio do almoço, são 4 opções, Udon ou Soba, Almoço Express, Una-ju ou Kaisen-ju e Almoço Especial. Fico com a último opção, cujo preço é o mais alto e sai por 100 reais. Sim, bem salgado para um almoço, porém dentre todas opções, esta me pareceu a que valia mais a pena mesmo (eu levo marmita para o resto do mês, hahaha).

Peço o Almoço Especial e pergunto se o chá verde é cortesia, como bom restaurante japonês, sim, ele é servido sem custo adicional. Junto com o chá me servem a salada abaixo.

Como vocês podem ver, nada de especial, salada de alface, tomate, cenoura e pepino, porém extremamente bem temperada! Você não precisa se preocupar em adicionar sal nem qualquer outro molho, aparentemente eles usam alguns daqueles molhos prontos da Hellmans, ou talvez seja feito lá mesmo de forma caseira. Comi tudo.

Após um momento, me servem a chamada Entrada, que são os tempurás de camarão e vegetais:

Simplesmente deliciosos, todos, todos mesmo. A casquinha é muito leve e saborosa, o camarão e os vegetais são bem temperados, e…há um plus. Como vocês podem ver, eles servem um pedaço de limão sisciliano e uma cumbuquinha com um sal especial. Eu espremo o limão na cumbuca com o sal e depois, com os hashis, pego os tempurás, passo na mistura e como, o resultado é uma explosão de sabor, dessas que você faz careta de tão bom mesmo. Esses tempurás são do nível do Kinoshita, com a diferença de que há o sal especial com o limão.

Na sequência, aguardo os sashimis, na minha frente o sushiman Luciano, oriental, é extremamente focado em seu trabalho e demanda, se há pratos a fazer, ele está em ação, caso contrário, ele limpa seu balcão, e arruma sua faca, e seus hashis metálico de chefe. Ele é responsável pelos sushis (nigiris) enquanto o outro, de seu lado esquerdo, faz o sashimis.

Meu prato chega:O sushiman Luciano me explica o que é cada um, dentro da cumbuca, pedaços de carapau já temperados, a direita, pargo com molho de missô, sobre a rodela de limão, o polvo e o roxo é a chamada ostra vagalume, há também dois cortes generosos de atum, um de buri e um enrolado bem único que não me recordo agora, me desculpem.

Tudo estava sensacional, não vou negar, os sashimis pré temperadas são fora de série, o pargo com missô talvez seja o melhor sashimi que já comi na vida, a ostra vagalume igualmente saborosa, uma surpresa para os olhos e paladar. O polvo, ok apenas , os pedacinhos de carapau muito bons também raspei a cumbuca toda. O atum extremamente macio assim como o buri, peixes de alta qualidade, não há como negar, e com corte japonês, bem grossos, como tem de ser.

Na sequência, o Prato Principal, o carré de cordeiro! Estava bem ansioso para esse prato, afinal cordeiro não é todo dia que você come!

O carré de cordeiro acompanha cogumelos, pimenta biquinho e couve flor. Comecei pelos congumelos, não dava para parar de comer, extremamente bem temperados, dá água na boca só de lembrar, a pimenta biquinho provei pela primeira vez na vida, um pouco receoso, pensei um pouco, mais coloquei na boca, ela não é quase nada ardida e extremamente doce, boa demais! Agora o carré de cordeiro, os temperos utilizados deixam o sabor na medida certa, eu acho que ele poderia ser um pouco maior e também ser servido ao ponto, o meu estavam bem passado, na minha visão perde um pouco o sabor! A crosta é parte essencial do prato, e te faz tentar arrancar até o que cobre o osso de tão boa que é!

Após o cordeiro, chega a hora do que eu realmente queria ver, os sushis, ou melhor, os nigiris!

Eles são 4, o primeiro é o de vieira, diretamente do Canadá, segundo o sushiman Luciano, as vezes eles recebem de Santa Catarina, mas elas são bem menores que as do Canadá. Antes de ser servida, espreme-se limão sisciliano sobre o nigiri. Não há palavras pra descrever o frescor que é, foi a 2a vez que provei, a primeira foi no Kinoshita, mas esse superou em muito minha primeira experiência.

O segundo e terceiro nigiris são de robalo e atum, estão gostosos, nesses dois é possível reparar o conjunto total do prato, o arroz perfeito, o peixe fresco e bem cortado, o wassabi entre o peixe e o arroz e o shoyo que passei com leveza sobre o peixe, tudo isso junto torna ambos nigiris maravilhosos. Nesse momento, apreciando um dos melhores nigiris que já provei na vida, lembro do Jiro, do documentário Dreams of Sushi e penso…se esses do Aizomê são assim, imagina os do Jiro!

Bom, por último, um dos meus favoritos, o de enguia (acima a direita). No Aizomê ela já estava pré cortada, eles preparam um papel alumínio e colocam num forninho elétrico, após um tempo, a retiram, montam o nigiri, colocam tarê por cima e servem, o resultado é acima do esperado. Um dos pontos que faz a diferença nesse nigiri é a fatia generosa de enguia!

Para terminar, servem a sopa de missô com tofu, missoshiro. Gourmet San confessa, não é grande fã, mas tomei boa parte, segue abaixo:

A cumbuca da esquerda foi usada como tampa para manter quente a sopa de missô que era de tofu.

Após a missoshiro, o garçom me pergunta que sobremesa desejo, dentre as escolhas há a chamada sopa de frutas e o sorvete de gengibre e de moti, se entendi bem. Escolhi a sopa de frutas por curiosidade e por ter visto pessoas ao lado com uma enorme taça que parecia deliciosa. Eis a sobremesa:

Bom, assim que chegou e pude provar fiquei chocado, geralmente restaurantes japoneses não possuem como forte a sobremesa, porém no Aizomê é diferente, até a sobremesa me surpreendeu. A sopa de frutas se trata de um sorvete de creme levíssimo, servido com algum tipo de molho…parece gaseificado, não soube identificar, ao redor são lâminas de fruta e casam perfeitamente com o sorvete e o molho, raspei até o talo!

Gente, é isso ae, recomendo a ida ao Aizomê quando puderem, não sei como fuciona o menu do jantar, mas no almoço as opções vão de 38,00 a 100,00 reais. É caro? Sim, mas vale a pena. O serviço é de altíssima qualidade, nota máxima mesmo. Eu nem tive de pedir mais chá, eles passam e servem quando veem que o seu está no fim.

Comparado ao Kinoshita, prefiro o Aizomê, não que o nível da comida seja maior, pois o restaurante do mestre Murakami serve pratos com molhos excepcionais, mas no dia a dia, o Aizomê é uma escolha melhor, com um custo benefício que favorece os desprovidos de uma renda mais avantajada como eu. Se come tão bem quanto, mas por muito menos. Espero retornar em breve!

Até a próxima!

Abraços

Gourmet San